Circle planeja o futuro das stablecoins como dinheiro digital invisível
Jeremy Allaire, CEO da Circle, disse à CNBC que as stablecoins estão deixando o mercado cripto de nicho para se tornar infraestrutura financeira.
A declaração veio dias depois de a empresa obter aprovação final do OCC para operar o First National Digital Currency Bank, primeiro banco de moeda digital autorizado pelo regulador americano.
Allaire afirmou que o mercado nasceu dentro das exchanges, mas o ciclo está se fechando. O movimento agora é em direção a pagamentos e mercados de capitais.
A nova licença bancária não foi acaso. Circle iniciou o processo em junho de 2025, teve aprovação preliminar em dezembro e o sinal verde final em 10 de julho de 2026.
Os números explicam por que a estratégia está mudando. USDC tem US$ 73 bilhões em circulação. USDT da Tether tem US$ 184 bilhões. Em vez de competir em negociação, a Circle aposta na integração com o sistema tradicional.
A mudança tem data marcada. O GENIUS Act, lei de stablecoins sancionada em julho de 2025, exige reservas completas e relatórios mensais dos emissores. Vigora a partir de 18 de janeiro de 2027.
Enquanto isso, a concorrência se intensifica. Mais de 140 empresas, incluindo Google Cloud, BlackRock, Coinbase e Robinhood, lançaram o OpenUSD em junho de 2026.
Na Europa, o banco central testa o euro digital, o que pode pressionar as stablecoins em dólar. Circle aposta que a demanda por dólar digital continuará crescendo.
Analistas projetam o mercado de stablecoins entre US$ 1 trilhão e vários trilhões nos próximos anos. O salto representa dez vezes o valor combinado de USDC e USDT hoje.
A visão de Allaire é que as stablecoins se tornem invisíveis para o usuário, operando como dutos que movem dinheiro sem que as pessoas percebam que estão usando blockchain.
O desafio da Circle vai além de convencer o mercado. A empresa precisa se adaptar ao próprio aparato regulatório que ajudou a criar, evoluindo sua estrutura fiduciária.
O futuro das stablecoins como dinheiro digital promete transformar pagamentos globais. O ritmo depende da regulamentação, da competição com novos participantes e da adoção pelos bancos tradicionais.