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Firmware novo da Coldcard chega, mas o risco das seeds antigas fica

A Coinkite liberou nesta sexta-feira o firmware corrigido para a falha de entropia na geração de seeds das Coldcard, as frases que dão acesso aos fundos. O comunicado lista as versões seguras de cada modelo e começa a fechar o capítulo aberto na quinta-feira, quando a varredura de 594 BTC, detalhada na matéria de hoje mais cedo, colocou a fabricante sob investigação.

Para o Mk3, a versão exigida é a 4.2.0 ou superior. Mk4 e Mk5 pedem a 5.6.0, e o Coldcard Q, a 1.5.0Q.

Os números da investigação seguem em aberto, e o total confirmado on-chain até aqui continua sendo o da varredura inicial de 594,48 BTC. Os investigadores seguem mapeando carteiras atingidas e o método usado na exploração, sem conclusão oficial até o momento.

O detalhe mais importante do comunicado, porém, é o que ele não promete. Atualizar o firmware não repara uma seed já gerada.

O que o comunicado muda

O que muda para quem está no grupo de risco é a existência de uma saída. O comunicado confirma as versões corrigidas para todos os modelos, e o Mk3, o mais atingido, ganhou na 4.2.0 a capacidade de gerar uma seed substituta corretamente, sem depender de um segundo aparelho. Para quem usou Mk4, Mk5 ou Q antes das versões seguras, vale o aviso publicado na matéria anterior, de que a seed antiga segue comprometida e a migração é obrigatória.

O aviso alcança também quem usa multisig. O desenvolvedor do Bitcoin Core Peter Todd advertiu que, em uma carteira 2-de-3 com duas Coldcards, mover os fundos revela o script e dá ao atacante a chance de competir pela transação.

A Coinkite, por sua vez, prometeu apoio aos atingidos. O co-fundador NVK afirmou que a empresa vai colaborar com boletins de ocorrência, seguros e investigações dos clientes.

No mesmo texto, NVK ofereceu a leitura do momento. Revisão de código assistida por IA, disse ele, encontra defeitos ocultos em velocidade que supera a dos especialistas mais experientes, e qualquer firmware de código aberto deve ser tratado como se já estivesse sendo lido por atacantes. O bug passou cinco anos escondido na geração das chaves.

A confiança em exame

Para quem confia uma fração da poupança a uma carteira física, o episódio recoloca uma pergunta incômoda.

A promessa central é que a chave privada nunca sai do aparelho. Ela foi cumprida, e ainda assim os fundos sumiram, porque o problema estava um degrau acima, na geração da própria seed. A aleatoriedade falhou dentro da fábrica, não na ponta, e o mercado aprendeu que essa camada exige auditoria.

A Coldcard construiu a reputação de ser a carteira de quem desconfia de tudo, e a falha atingiu justamente esse público. Para esse usuário, o incidente pesa mais do que um bug comum, porque atinge a premissa que o levou a escolher a marca. Códigos corrigidos restauram o funcionamento, mas premissas quebradas demoram mais para voltar, e é essa conta que o mercado vai cobrar de todas as fabricantes.

A expectativa é que outras fabricantes passem pelo mesmo crivo. Em uma discussão pública no X Spaces que durou horas na noite de quinta-feira, projetos de código aberto foram apontados como os próximos alvos de auditoria.

A Coinkite sai na frente na resposta, o que separa reputação de crise. Reconheceu o problema no dia em que a varredura veio à tona, publicou guia de migração e liberou o firmware corrigido em menos de 48 horas. Nenhum fabricante de carteiras físicas passou por um teste tão público, e o mercado observa se a transparência vira confiança ou mancha permanente.

A autocustódia é uma transferência de risco, e o episódio mostrou para onde ela aponta quando o hardware falha.

A confiança em carteiras físicas não se reconstrói com promessas, mas com auditoria, código aberto e respostas rápidas como a desta sexta-feira. O caso dos 594 BTC mostrou que a reputação de uma fabricante vale o que sua aleatoriedade vale, e que a transparência é o único caminho de volta.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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