Ativos reais tokenizados já rivalizam com bitcoin nos derivativos
Os contratos perpétuos de ativos do mundo real (RWA) chegaram ao fim de julho disputando com o bitcoin o posto de maior volume de derivativos na Hyperliquid e na Binance. Na semana iniciada em 27 de julho, os perpétuos de RWA movimentaram US$ 37,18 bilhões contra US$ 34,03 bilhões dos perpétuos de bitcoin, vantagem de pouco mais de 9%, segundo a Talos, que monitora o segmento.
É a primeira vez, na série da Talos, que esse grupo de contratos aparece à frente do bitcoin em uma semana.
O movimento não é pontual. No acumulado dos últimos sete dias, o volume de perpétuos de RWA somou US$ 49,97 bilhões, o equivalente a 91,9% do volume dos perpétuos de bitcoin nas duas bolsas. No snapshot de quinta-feira, a proporção chegou a 99,2%, com US$ 61,7 bilhões negociados na janela. Ações tokenizadas respondem por cerca de 58% desse total, e commodities por 28%.
O grosso do dinheiro está indo para contratos que replicam ações listadas, não para criptomoedas.
A vez dos ativos tokenizados
Na semana de 13 a 19 de julho, a Hyperliquid registrou US$ 25,1 bilhões em perpétuos de RWA, volume que pela primeira vez superou todas as outras categorias de contratos da plataforma somadas, com 52% do total. Foi o marco que colocou o segmento no radar das exchanges, que listam ações e commodities tokenizadas ao lado de bitcoin e ether.
O estoque por trás do fluxo também cresce. O valor dos ativos do mundo real tokenizados on-chain soma cerca de US$ 36,8 bilhões fora das stablecoins, segundo a RWA.xyz.
Para Jeremy Allaire, CEO da Circle, o movimento tem peso estrutural.
Em um post no X na semana passada, Allaire classificou o avanço como mudança estrutural e possível ponto de virada na evolução dos mercados de crypto, que estariam deixando de especular com ativos digitais nativos para virar infraestrutura de mercados globais mais profundos. A Circle, emissora da USDC, aparece como uma das beneficiárias.

No detalhamento da semana, ações tokenizadas puxam US$ 22,8 bilhões, commodities US$ 9,1 bilhões e índices US$ 4,2 bilhões.
A comparação com o bitcoin deixou de ser um susto para virar rotina nos painéis de dados.
O mercado tradicional de olho
Para a Pantera Capital, o caminho é mais amplo. A gestora escreveu em julho que os perpétuos podem se tornar instrumento dominante para além do crypto, com vantagens como negociação 24 horas por dia, ausência de vencimento e descoberta contínua de preço. A tese ganha força conforme as bolsas tradicionais observam o fenômeno.
Até a dona da Bolsa de Nova York entrou na conversa. Jeffrey Sprecher, CEO da Intercontinental Exchange, pediu aos reguladores condições equivalentes para os perpétuos on-chain, argumentando que as estruturas atuais não deveriam travar a negociação em blockchain.
O apetite institucional pelo formato está forçando a porta dos mercados tradicionais.
Apesar do avanço, os perpétuos de RWA ainda são uma fração pequena do mercado de derivativos. No acumulado de sete dias, o volume total de futuros chegou a US$ 821 bilhões, com os contratos de RWA representando cerca de 7,5% desse bolo. O segmento cresce rápido, mas parte de uma base quase inexistente há um ano.
Enquanto isso, o bitcoin negocia perto de US$ 62,8 mil, com o mercado crypto avaliado em US$ 2,33 trilhões. A disputa pelo volume acontece num momento em que o apetite de risco global perde força.
O que os dados de julho mostram é que a infraestrutura de negociação crypto deixou de servir apenas a ativos digitais. Ações, commodities e índices tokenizados passaram a disputar o mesmo livro de ordens que o bitcoin. O segmento ainda é pequeno diante do mercado inteiro, mas desde maio a participação mais que triplicou. O bitcoin segue imbatível no mercado à vista, mas nos perpétuos a coroa passou a ter dois candidatos.
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