Inflação persistente pressiona bitcoin antes da decisão do FOMC
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto e acumulou alta de 3,4% em doze meses, exatamente como o mercado esperava. O Bureau of Labor Statistics divulgou os dados nesta sexta-feira de manhã, e o bitcoin não acompanhou o alívio que alguns operadores esperavam. O ativo chegou a operar perto de US$ 80.300 durante a semana, mas vinha recuando desde então. O CPI de agosto serviu como gatilho para um movimento de realização de lucro que jogou o preço para a mínima de US$ 76.555 nas horas seguintes à divulgação. O ativo se recuperou em seguida e voltou para a casa dos US$ 78 mil, numa queda e recuperação rápidas.


O CPI de agosto e seus componentes
O relatório confirmou que a inflação americana permanece acima do alvo do Federal Reserve. O detalhe que mais pesou foi a gasolina, que avançou 3,9% no mês e acumulou disparada de 27,4% em doze meses. Sozinho, o combustível respondeu por mais de um terço de toda a alta do índice geral em agosto, o que mostra como um produto específico ainda consegue empurrar o custo de vida para cima com força. A energia como um todo subiu 2,1% no mês, e o aluguel, que é o maior componente do CPI, avançou 0,3% e acumulou alta de 3% em doze meses. Os preços de alimentos avançaram 0,1%, enquanto serviços como passagens aéreas dispararam 2,7%.
O núcleo avançou 0,3%, acima do esperado.
O encontro do FOMC está marcado para os dias 15 e 16 de setembro, e a decisão sobre os juros será anunciada no segundo dia. O mercado entrou na sexta-feira precificando cerca de 56% de chance de alta de 0,25 ponto, segundo o CME FedWatch, e o CPI de agosto não dissipou esse cenário. O dado de preços ao consumidor foi o segundo relatório inflacionário da semana, e a combinação dos dois índices reforça a narrativa de que a inflação segue acima da meta do Fed.
Na quinta-feira, o PPI, que mede os preços no atacado, havia subido 0,4% em agosto e acumulado alta de 5,4% em doze meses, também acima do esperado. O diesel disparou 24,1% no mês.
Os dois números juntos desenham um quadro persistente. O bitcoin não acompanhou o alívio que alguns operadores esperavam. O ativo chegou a operar perto de US$ 80.300 durante a semana, mas vinha recuando desde então. A inflação persistente segue pressionando os ativos de risco, e o bitcoin segue testando a faixa de suporte enquanto aguarda a definição do FOMC, numa recuperação rápida após a queda.
A reação do bitcoin e o contexto macro
O contexto mais amplo segue pressionando os ativos de risco. O rendimento do título de dez anos oscila perto de 4,9%, o dólar segue firme, e a inflação americana acumulada em doze meses segue distante da meta de 2% ao ano do Fed, um alvo que o banco central não vê próximo de ser atingido. O mercado de trabalho, por outro lado, mostra sinais de desaceleração nos últimos relatórios de emprego, o que adiciona incerteza ao cenário. A combinação de juros altos e inflação persistente mantém o apetite por risco contido.
A equação do BTC é simples, sem combustível para romper resistência.
O mercado segue atento aos dados que restam antes da decisão do Fed. Cada dado funciona como um termômetro da probabilidade de aperto, e o mercado cripto reage a cada centavo de expectativa sobre o custo do dinheiro. O dado de hoje não alterou a precificação. A inflação persistente, a gasolina em alta e a probabilidade de novo aperto monetário sustentam a pressão sobre os ativos de risco, e o bitcoin segue testando a faixa de suporte enquanto aguarda a definição do FOMC na próxima semana.
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