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ETF de bitcoin da Morgan Stanley supera US$ 609 mi em 2026

Os ativos sob gestão do Morgan Stanley Bitcoin Trust cruzaram a marca de US$ 609 milhões em 9 de setembro de 2026. O fundo opera na NYSE Arca sob o ticker MSBT e foi lançado em 7 de abril do mesmo ano com capital inicial de US$ 1 milhão, se tornando o primeiro ETP de bitcoin à vista criado por uma instituição financeira tradicional dos EUA.

O pico histórico veio em 5 de setembro, com US$ 615,70 milhões, impulsionado pela demanda consistente dos clientes da Morgan Stanley. Na segunda-feira, 12 de setembro, o AUM era de US$ 601,97 milhões, com 27,23 milhões de ações a US$ 22,11 cada.

A Estrutura do MSBT

Com 0,14% ao ano de taxa de administração, o produto é o mais barato do mercado americano de fundos de bitcoin, custando menos da metade da taxa cobrada por concorrentes como o IBIT da BlackRock. Essa vantagem competitiva atrai investidores sensíveis a custos e contribui para o crescimento acelerado do fundo.

A Morgan Stanley Investment Management dividiu a estrutura de custódia em duas frentes para garantir segurança e eficiência operacional. A Coinbase Custody Trust Company, instituição especializada em guarda de ativos digitais, é responsável pela custódia das chaves privadas do bitcoin. Já a BNY Mellon, um dos maiores custodiantes do mundo, cuida do caixa e atua como agente de transferência das cotas. O cálculo do valor de referência utiliza a cotação de fechamento nova-iorquina das 16 horas, garantindo que o preço reflita o valor de mercado no fim do dia útil americano. A Foreside Fund Services, distribuidor autorizado, cuida da comercialização do produto junto aos investidors.

A opção por fora do regime do Investment Company Act de 1940 viabilizou a estrutura ETP, mais simples e direta que um ETF tradicional. Verificar o lastro diretamente na blockchain é possível porque cada cota é lastreada integralmente, sem alavancagem.

Os fluxos mais recentes evidenciam o crescente apetite institucional por exposição regulamentada ao bitcoin. A Morgan Stanley tem atraído capital de grandes gestores e family offices interessados em alocar recursos no ativo digital de forma segura e regulada. A consistência das entradas sugere que o movimento não é especulativo, mas representa uma estratégia de longo prazo. O MSBT oferece uma alternativa com taxa competitiva e a distribuição de um banco de Wall Street, combinação que explica o crescimento mais rápido proporcionalmente.

Em 30 dias até 12 de setembro, o MSBT recebeu US$ 121,48 milhões em entradas líquidas, volume que representa mais de um quinto do AUM total atual. Na última semana, o número foi de US$ 26,89 milhões.

Fluxos e Rastreabilidade On-Chain

A Arkham Intelligence, plataforma especializada em rastrear movimentações on-chain, identificou e rotulou publicamente 11 endereços de carteira vinculados ao MSBT, classificando o fundo como um Bitcoin whale e permitindo o acompanhamento em tempo real de cada transação.

Os dados on-chain revelam um padrão de acumulação contínua desde abril, com transferências semanais para as carteiras. Essa abordagem de compra gradual reduz o impacto no mercado e permite que o fundo acumule posição sem disparar o preço. Cerca de 1.000 BTC foram adicionados em apenas duas semanas durante julho de 2026. As maiores transferências registradas somam 495,8 BTC, 171,9 BTC, 166,2 BTC e 154,8 BTC, todas originadas da Coinbase Prime.

A página oficial da Morgan Stanley indicava 7.903,82263320 BTC em custódia em 14 de agosto de 2026, o que ao preço de US$ 77.812 equivale a aproximadamente US$ 615 milhões. Esse dado confirma que o fundo mantém lastro integral de bitcoin para cada cota emitida, sem alavancagem.

Em junho, um programa de referral com a Galaxy Digital abriu uma nova frente de captação. Clientes qualificados da Morgan Stanley passaram a conseguir destinar BTC, ETH e SOL para a Galaxy e, como contrapartida, obter cotas de ETPs de criptomoedas à vista. A transferência sem venda evita o desfazimento das posições e a consequente incidência de imposto. O prazo de integração encolheu de mais de quatro semanas para algo perto de sete dias. A tarifa cobrada pela Galaxy fica entre 0,15% e 0,25%, sem remuneração para o banco americano na intermediação. As duas companhias operam de forma independente, sem vínculo societário entre si. A análise cadastral fica exclusivamente sob responsabilidade da Galaxy, que verifica a identidade dos clientes e a origem dos recursos antes de liberar a operação.

O Acordo com a Galaxy Digital

O 13F registrado na SEC em 13 de agosto de 2026, referente ao trimestre encerrado em 30 de junho, mostrou que a Morgan Stanley detinha 2,57 milhões de ações do próprio MSBT, avaliadas em US$ 43,3 milhões. O formulário 13F é obrigatório para gestores com mais de US$ 100 milhões em ativos.

A instituição também ampliou exposições relevantes em outros produtos. No iShares Bitcoin Trust da BlackRock, a Morgan Stanley tinha 16,5 milhões de ações, avaliadas em US$ 549 milhões, alta de 23% sobre o trimestre anterior. O Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund teve crescimento de quase 38% na posição. A exposição à Circle Internet Group saltou de 1,46 milhão para 8,32 milhões de ações. A BlackRock e a Fidelity dominam o segmento de fundos de bitcoin à vista nos Estados Unidos, abocanhando mais de 90% dos fluxos líquidos. O IBIT lidera com cerca de US$ 57 bilhões em AUM. O MSBT tem US$ 602 milhões e é o menor entre os grandes, mas apresenta o crescimento mais rápido proporcionalmente.

A Morgan Stanley dispõe de 16 mil consultores financeiros que administram US$ 9.3 trilhões em ativos. O MSBT representa a entrada definitiva dos bancos de investimento tradicionais no mercado de bitcoin via veículos listados. Taxa baixa, custódia institucional e canais de distribuição da Morgan Stanley posicionam o fundo como alternativa aos produtos de BlackRock e Fidelity. Os fluxos de entrada levaram o AUM de US$ 1 milhão a mais de US$ 609 milhões em menos de cinco meses.

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