Bitcoin

Fidelity muda tese e vê o inverno do bitcoin encerrado

Jurrien Timmer, diretor de macro na Fidelity Investments, escreveu em 15 de setembro que o bitcoin passou quase 12 meses sem perder o piso dos US$ 60 mil, o intervalo que costuma marcar o fim de um inverno da moeda, e concluiu que a fase de baixa ficou para trás. A leitura se apoia em dois sinais, e a nota foi replicada no LinkedIn três dias depois.

Dois sinais sustentam a virada. O piso de US$ 60 mil, respeitado por quase um ano, e o Z-score entre bitcoin e ouro, agora positivo.

A mudança de tom é o fato central da nota. Em dezembro de 2025, o mesmo analista apostava que o ano seguinte seria de acomodação, com o suporte projetado na faixa de US$ 65 mil a US$ 75 mil, e manteve a leitura quando o preço caiu a US$ 60 mil, em fevereiro. Nove meses depois, com a mínima de US$ 57,8 mil em junho e o preço acima de US$ 80 mil, ele declara o inverno encerrado e a contagem recomeçada.

O fundo projetado no ano passado, na casa dos US$ 65 mil, ficou US$ 7 mil acima da mínima que o mercado marcou em junho.

A leitura dele não é consenso dentro da própria Fidelity. A área de pesquisa de ativos digitais da gestora, chefiada por Chris Kuiper, mantém aberta a possibilidade de um novo fundo e não dá o bear market como encerrado. O relatório trimestral de julho via o sentimento perto de capitulação, e novembro de 2026 segue como a janela do padrão de quatro anos no material da casa.

A média de 50 semanas decide o fundo

O bitcoin era negociado a US$ 81.068 no fim da noite deste sábado, 19 de setembro, com queda de 0,34% em 24 horas, pela Binance.

O valor de mercado somava US$ 1,628 trilhão, dos US$ 2,76 trilhões do setor cripto, com 58,98% de fatia para o bitcoin. A Bybit marcava US$ 81.073 e o índice da Deribit, US$ 81.046. A rede processava 967.777 blocos e 20,08 milhões de moedas, com hashrate de 871,1 EH/s. Na sexta-feira, 18 de setembro, o preço fechou com alta de 5,84%, de US$ 76.417 a US$ 80.884.

O que decide a passagem para a próxima fase do ciclo é a média móvel de 50 semanas, que roda hoje na faixa de US$ 79 mil a US$ 82 mil.

A Galaxy Research calculava o nível entre US$ 81,5 mil e US$ 81,8 mil nas últimas semanas. A regra histórica da casa diz que, em 4 de 5 ciclos de baixa que perderam a média, o retorno acima dela em um fechamento semanal marcou o fundo, e a exceção foi a queda que separou os dois picos de 2021. O bitcoin perdeu a média na semana encerrada em 16 de novembro de 2025 e passou 44 semanas sem fechar acima dela.

Um pavio intradiário não confirma nada. O critério é o fechamento semanal acima da faixa, e o próximo teste vence no domingo, 20 de setembro.

O sinal do ouro confirma o fundo

O segundo sinal da nota vem do ouro. O Z-score da relação entre bitcoin e ouro saiu de menos 100% e cruzou para o campo positivo, movimento que, na leitura do analista, serviu no passado para confirmar fundos, e não como gatilho de entrada. O ouro atravessou 2025 em alta de cerca de 65% enquanto o bitcoin fechou o ano no negativo, e é essa distância que o indicador mede.

O ouro encontrou sustentação na casa dos US$ 4 mil, e a nota projeta ao menos US$ 5 mil nos meses seguintes, com liquidez global e procura por ativos escassos.

A profundidade do bear market e os alvos dos analistas

O bear market tirou 54% do valor do bitcoin, da máxima histórica de US$ 126,2 mil, em outubro de 2025, à mínima de US$ 57,8 mil no fim de junho. A Glassnode registra 68% da oferta em lucro, ante 65% em maio, e agosto trouxe US$ 2,8 bilhões para fundos de índice. O relatório da área de ativos digitais da Fidelity descreve o intervalo como exaustão de vendedores.

Alex Thorn, da Galaxy Research, vê o movimento como real, e Bob Loukas aponta US$ 90 mil se o topo de maio ceder, com reteste de US$ 60 mil se falhar.

O regime macro e o teste do fechamento semanal

Timmer afirma que o mercado vive uma fase em que o capital custa mais caro, com dívida pública e corporativa crescendo e bancos centrais fora da compra de títulos, o que empurraria os governos para a repressão financeira, ou seja, segurar os juros na base da emissão. O juro de 10 anos dos Estados Unidos trabalha na casa de 5%, a inflação está em 3,4% e os juros reais, em 2,59%.

O teste é o fechamento semanal de domingo. Acima de US$ 82 mil, o fundo está confirmado. Abaixo de US$ 79 mil, a referência é a mínima de junho.

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