US$ 1,07 trilhao parados, e o mercado sabe que isso ja aconteceu antes
Há um recorde na mesa que o mercado de cripto não pode ignorar. A oferta de Bitcoin nas mãos de investidores de longo prazo chegou a 16,64 milhões de BTC, o maior volume já registrado, equivalente a 83% do supply circulante e a US$ 1,07 trilhão.
A métrica usada como referência são as carteiras que mantêm o ativo imóvel por mais de 155 dias, indicador desenvolvido pela Glassnode. Estatisticamente, moedas nessa faixa são menos propensas a ir para o book de vendas durante correções, o que dá ao índice fama de medidor de convicção entre participantes.
O acúmulo começou a desenhar uma trajetória de alta ainda no início de 2024, quando o supply de longa duração flutuou entre 14 milhões e 16 milhões de BTC nos meses seguintes ao lançamento dos ETFs spot americanos. Em maio de 2026, o indicador quebrou uma tendência de baixa que vinha de dois anos e meio e passou a adicionar cerca de 200 mil BTC por mês.

A troca de mãos por trás do recorde
A troca de mãos que está por trás desse número foi descrita pelo CEO da CryptoQuant, Ki Young Ju, como um movimento em que grandes baleias antigas vendem e compradores institucionais como a Strategy e os ETFs entram no lugar. Em termos de mercado, chama-se transferência de moedas fracas para fortes.
Nem todo mundo está seguindo o mesmo caminho dentro dessa fotografia. Enquanto baleias de grande porte adicionaram dezenas de milhares de BTC nos últimos meses, os detentores de tamanho médio diminuíram suas posições. O efeito é uma concentração maior do supply em carteiras que historicamente menos se movimentam em janelas curtas de preço. A Bitcoin.com News já havia observado esse padrão desde fevereiro.
O enredo repete o que o mercado já viu nos bear markets de 2015 e 2019, quando a oferta de longo prazo subiu nas fases de queda e caiu nos períodos de alta. A novidade está na dimensão do fenômeno. O volume absoluto segurado por mãos pacientes é hoje muito maior do que em ciclos anteriores.
O resultado concreto desse movimento é que menos Bitcoin está disponível para negociação nas exchanges. Com mais moedas em carteiras frias, o volume disponível para compra e venda se reduz, o que historicamente torna os movimentos de preço mais intensos quando a demanda volta. O saldo nas corretoras está nos níveis mais baixos dos últimos anos.
O outro lado do dado
Há quem faça uma leitura diferente do recorde. Um relatório da CryptoQuant publicado em maio sugeriu que parte da alta reflete a falta de negociação, não exatamente convicção. Na prática, quando o Bitcoin para de circular, as moedas simplesmente envelhecem na contagem dos 155 dias e o número sobe por inércia, sem que novos compradores estejam por trás. Desse aumento total, cerca de 900 mil BTC vieram de reservas da Coinbase que estavam paradas há tempo suficiente para entrar na estatística.
O BTC negocia atualmente entre US$ 60 mil e US$ 70 mil, cerca de 48% abaixo do recorde de US$ 126 mil de outubro de 2025. A consolidação prolongada tem sido lida como uma fase de acumulação, embora o mercado ainda aguarde um catalisador de demanda.
O recorde mostra que a preferência por segurar cresce entre participantes do mercado. O histórico dos ciclos anteriores sugere que bases como essa já precederam movimentos relevantes de alta. O mercado agora espera para ver se o gatilho de demanda vai aparecer ou se a espera vai se estender mais do que muitos esperam.
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