Bitcoin

Saylor contra BIP-110. O debate que expõe a alma do Bitcoin

Michael Saylor, chairman da Strategy, publicou no fim de semana 110 razões para rejeitar o BIP-110, a proposta de soft fork temporário que limita dados arbitrários na blockchain. O texto circulou entre 18 e 19 de julho e reacendeu um debate que vinha latente desde os Ordinals em 2023.

O BIP-110 foi escrito pelo desenvolvedor Dathon Ohm. A proposta impõe sete restrições a dados, incluindo limite de 256 bytes para pushes e 34 bytes para scriptPubKeys. UTXOs anteriores à ativação são "grandfathered" e não podem ser congelados.

O ponto mais sensível não é técnico, mas de precedente. O BIP-110 mexe num pilar que sustentou o Bitcoin desde o início, já que em vez de exigir quase unanimidade dos mineradores para mudar as regras, ele pede só 55%. Na visão de Saylor, abaixar essa barreira é um convite para que pressões políticas ditem o futuro do protocolo.

Adam Back endossou publicamente Saylor. O cofundador da Blockstream destacou o risco de divisão da rede, algo que o Bitcoin não via desde o hard fork do Bitcoin Cash em 2017.

O prazo é agosto de 2026, mas o apoio dos mineradores nunca passou de 1% do hashrate. Grandes pools recusaram sinalizar a favor.

Saylor defende que o Bitcoin use taxas e políticas de relay para lidar com atividade indesejada, não mudanças nas regras centrais. Invalidar transações que pagam taxas e são válidas HOJE seria um erro.

O debate expõe uma fratura ideológica. De um lado, puristas que veem o Bitcoin só como dinheiro. Do outro, defensores da neutralidade que dizem que qualquer transação válida que paga taxa não é spam.

Se o BIP-110 não for ativado em agosto, a decisão sobre o que o Bitcoin deve carregar fica para depois. Saylor acredita que o remédio é pior que a doença.

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