Nasdaq fechou em recorde
O Nasdaq Composite fechou em 27.477,31 pontos nesta segunda-feira, alta de 1,05%, o maior fechamento da história do índice. O S&P 500 subiu 0,66%, para 7.773,95, e o Dow Jones avançou 0,18%, para 51.267,90. O recorde saiu no mesmo dia em que a taxa do título de 10 anos dos Estados Unidos ficou em 5,311%, e menos de três semanas depois de o Federal Reserve ter subido os juros.
A leitura que o mercado digeriu foi a pesquisa do ISM sobre o setor de serviços americano. O índice recuou para 54,9 em setembro, de 55,4 em agosto, e segue acima de 50, faixa que indica expansão. O componente de preços pagos subiu para 74,0, de 72,6, o maior nível em mais de quatro anos. O de emprego voltou a crescer e marcou 50,1, depois de 47,8.
Steve Miller, que preside o comitê responsável pela pesquisa, disse que tarifas e custo de combustível foram os itens mais citados pelas empresas como pressão sobre as cadeias de suprimentos, e que o combustível apareceu duas vezes mais que qualquer outro item isolado.
Na sexta-feira, o relatório de emprego de setembro já tinha mostrado a abertura de 29 mil vagas, bem abaixo das 90 mil esperadas, com revisão para baixo nos dois meses anteriores e desemprego em 4,2%, contra 4,1%. Depois desse dado, a chance de uma nova alta de juros na reunião de outubro caiu para 24%, de 70% uma semana antes.
O Fed subiu os juros em 16 de setembro
O Federal Reserve elevou a faixa dos juros para 3,75% a 4,00% no dia 16 de setembro, em votação unânime de 12 a 0. Foi a primeira alta desde 2023. O presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmou que a inflação está alta demais e por tempo demais, e que o critério para deixar os juros parados não estava atendido.
Nas projeções divulgadas junto com a decisão, a mediana dos dirigentes apontou juros de 4,1% no fim de 2026, o que implica pelo menos mais uma alta neste ano. A próxima decisão de juros sai em 28 de outubro. A taxa do título de 10 anos fechou em 5,311%, com avanço de 3,4 pontos-base no dia, e o índice que mede o dólar frente a uma cesta de moedas chegou a 102,53, o maior nível em dezoito meses.
O que sustentou a bolsa
O petróleo ajudou. O WTI fechou a US$ 89,36 o barril, queda de 1,92%, depois de a Arábia Saudita reduzir o preço da sua referência para a Ásia. Energia mais barata alivia justamente a parte da inflação que o Fed está tentando conter com juros maiores.
O segundo empurrão veio de uma compra bilionária. A francesa Schneider Electric ofereceu US$ 205 por ação da PTC, em dinheiro, numa operação que avalia o capital da empresa americana em US$ 22,6 bilhões. O preço embute prêmio de 42,3% sobre a cotação da última sexta-feira. As ações da PTC subiram 33,49% e fecharam a US$ 192,26, ainda 6,2% abaixo do valor oferecido.
O resto do índice ficou concentrado em poucos papéis. A Nvidia subiu 2,12% e a Microsoft, 1,48%. Apenas 50,58% das ações da Nasdaq avançaram, mesmo com o índice no recorde, e o fundo que reúne as empresas de tecnologia do S&P 500 subiu 0,56%, menos que o S&P 500.
O bitcoin devolveu a alta
O bitcoin chegou a US$ 86.996 nesta segunda-feira e perdeu o movimento. No fim da tarde, era negociado a US$ 85.878, com queda de 0,1% em 24 horas.
É a segunda vez em uma semana que uma tentativa de alta perto de US$ 87 mil não se sustenta.
O bitcoin está 32% abaixo do recorde de US$ 126.198 alcançado em 6 de outubro do ano passado. O ether ficou em US$ 2.715 e o SOL, em US$ 120,59, os dois com variação pequena no dia.
Os fundos americanos de bitcoin à vista tiveram a terceira semana seguida de entrada de dinheiro, com US$ 241,1 milhões no período encerrado em 2 de outubro. O valor é uma fração dos US$ 2,4 bilhões da semana anterior, a maior da série, e ficou concentrado em um único fundo, o da BlackRock, que captou US$ 450 milhões enquanto o da Fidelity perdia US$ 168 milhões.
A ata da reunião de setembro do Fed sai nesta semana, e a próxima decisão de juros está marcada para 28 de outubro.
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