Nenhuma empresa valeu US$ 6 trilhões, e a Nvidia está a 4% disso
A Nvidia encerrou o pregão desta segunda-feira, 5 de outubro, na maior cotação da sua história. As ações subiram 2,2%, para US$ 239,11, depois de tocar US$ 240,10 na máxima do dia. O valor de mercado da fabricante de chips ficou perto de US$ 5,8 trilhões.
Para cruzar a linha dos US$ 6 trilhões, a ação precisaria rondar US$ 248. Parece pouco para uma empresa que já vale mais do que todas as outras. A segunda colocada é a Apple, que vale US$ 4,9 trilhões. Alphabet e Microsoft aparecem atrás, ambas abaixo de US$ 4,2 trilhões.
Por que a ação subiu hoje
O gatilho mais forte do dia veio de uma fornecedora. A Foxconn, taiwanesa que monta os servidores de inteligência artificial com os chips da Nvidia, divulgou a maior receita mensal da sua história. Em setembro, foram NT$ 1,16 trilhão, a primeira vez que a empresa passou da casa de NT$ 1 trilhão, com alta de 38,4% sobre setembro do ano passado.
Só no terceiro trimestre, a receita da Foxconn chegou a NT$ 3,03 trilhões, acima do que o mercado esperava. Esses servidores combinam placas, rede, energia e refrigeração, e o desempenho da taiwanesa serve de termômetro para o quanto as empresas de tecnologia estão gastando para erguer centros de dados.
As quatro maiores companhias de nuvem do mundo devem investir perto de US$ 300 bilhões neste ano, e boa parte desse valor vai para equipamentos que levam os chips da Nvidia. Os resultados da Foxconn indicam que esses pedidos seguem firmes.
Bancos também mexeram nas projeções. O BNP Paribas vê a ação a US$ 345 agora, ante uma estimativa anterior de US$ 285, mantendo a recomendação de compra. O Bernstein repetiu a mesma recomendação, com US$ 400 como preço-alvo. Na sexta-feira, o Morgan Stanley já havia voltado a listar a Nvidia como sua principal escolha no setor de chips.
A empresa ainda sustenta o próprio preço com a recompra de ações. No fim de setembro, o conselho aprovou um aumento de US$ 150 bilhões no programa, o maior já feito pela companhia, elevando o total autorizado a US$ 235 bilhões, com execução prevista até o exercício de 2028.
O empurrão veio do mercado inteiro
Boa parte do movimento nasceu fora da empresa. Na sexta-feira, o relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou a criação de 29 mil vagas em setembro, bem abaixo das 90 mil esperadas. Um dado fraco costuma derrubar a bolsa, mas o mercado leu o número como sinal de que o Federal Reserve teria menos motivo para subir os juros.
Com juros mais baixos à frente, ações de crescimento como as de tecnologia ficam mais atraentes. O Nasdaq fechou a sexta-feira em um novo recorde, e a Nvidia concentra cerca de 13% do Nasdaq-100 e 8% do S&P 500. O desempenho de uma única empresa passou a pesar sobre o mercado inteiro.
O que falta e o que pode atrapalhar
A Nvidia chegou à marca do trilhão em 2023, passou a Apple em 2024 e, em outubro do ano passado, fechou valendo US$ 5 trilhões pela primeira vez. O sexto trilhão é a próxima parada.
Há riscos no caminho. Concorrentes como AMD e Broadcom avançam, e as grandes empresas de nuvem desenvolvem chips próprios para tarefas específicas. Parte do mercado questiona se os gastos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial vão gerar retorno à altura, o que poderia reduzir os pedidos mais adiante.
O mercado de opções atribui à Nvidia uma probabilidade de 50% de alcançar os US$ 6 trilhões ainda em outubro.
Para isso, a cotação precisa subir até US$ 248, pouco menos de 4% acima do fechamento desta segunda-feira. Seria o primeiro US$ 6 trilhões atingido por uma empresa na bolsa.
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