Bitcoin

A inflação de quarta-feira decide o rumo do bitcoin

O bitcoin fechou a semana sem firmar uma direção e chegou a esta segunda-feira na casa dos US$ 83 mil. A moeda caiu 0,6% em 24 horas e acumula perda de quase 3% em sete dias, depois de sair de US$ 86,6 mil na semana passada. O recuo acontece em um momento em que o mercado americano de títulos públicos volta a pagar prêmio alto, e esse movimento tem pesado mais sobre o preço do que qualquer notícia do setor.

O motivo para o preço parado vem do calendário econômico dos Estados Unidos e da inflação, que volta ao centro das atenções nesta semana.

O mercado deixou de esperar corte

A inflação de setembro sai nesta quarta-feira, às 9h30 no horário de Brasília, e é o último dado de preços antes que o Federal Reserve volte a se reunir, em 27 e 28 de outubro. O mercado espera aceleração do índice cheio, de 3,4% para cerca de 3,6% em 12 meses, com a energia puxando o resultado para cima. O núcleo, que deixa de fora alimentos e combustíveis, deve ficar estável perto de 2,4%.

O Fed olha esse núcleo de perto, porque ele mostra a pressão de preços que não vem de itens voláteis.

A conversa sobre corte de juros ficou para trás. O Fed subiu os juros em setembro, para a faixa de 3,75% a 4,00%, na primeira alta desde 2023, e a dúvida agora é se ele sobe outra vez. O FedWatch, do CME Group, aponta perto de 18% de chance de nova alta na reunião de outubro, contra 70% no fim de setembro. No Polymarket, a chance de o juro ficar onde está chega a 84%.

O dado de emprego veio fraco em setembro, com a abertura de apenas 29 mil postos nos Estados Unidos, quando a projeção apontava 90 mil, e o desemprego subiu para 4,2%.

Juros longos e dólar fazem o contrapeso

O juro do título de 10 anos do Tesouro americano está em 5,24%, depois de bater 5,34% no começo do mês, no maior nível desde 2002. O de 30 anos ficou em 5,60% e chegou a 5,70%, teto que não aparecia há quase 24 anos. Juros longos nesse patamar encarecem o crédito e reduzem o apetite por ativos de risco. O dólar subiu junto, e o índice que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas chegou a 102,6 pontos.

O alívio nas apostas de alta não chegou ao preço. Enquanto o juro longo segue caro, o bitcoin continua preso abaixo dos US$ 84 mil.

O fluxo dos fundos esfriou

Nos Estados Unidos, a sexta-feira trouxe entrada de US$ 21,13 milhões para os fundos listados em bolsa que compram bitcoin à vista, depois de dois dias de saques, com US$ 487 milhões na quarta e US$ 244 milhões na quinta. Outubro acumula retirada líquida de US$ 386,3 milhões nos primeiros sete dias de negociação, pelos dados da SoSoValue. Na CoinShares, a captação dos fundos do setor desacelerou depois de somar US$ 11,1 bilhões em entradas desde o meio de julho.

Há uma leitura diferente para os juros longos, e ela interessa a quem olha o bitcoin a distância maior.

James Butterfill, que chefia a pesquisa da CoinShares, sustenta que o prêmio maior cobrado nos títulos americanos pode refletir mais a preocupação com as contas públicas do que o ritmo da economia. Se esse entendimento ganhar força, o bitcoin passa a ser visto como reserva de valor fora do dinheiro estatal, e o papel dele na carteira muda de lugar.

A faixa de negociação tem se concentrado entre US$ 80,3 mil e US$ 87,1 mil, na medição da Bitfire.

O dado de quarta-feira decide o tom. Um núcleo acima de 0,3% na comparação mensal reacende a conversa sobre nova alta, mantém o juro longo caro e tende a levar o preço de volta à parte baixa da faixa, com os US$ 82 mil como primeiro teste e os US$ 79 mil no radar. Um número mais fraco abre espaço para o alívio que a queda nas apostas ainda não entregou, e a primeira resistência aparece nos US$ 85,6 mil, com os US$ 87,4 mil adiante.

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