Hyperliquid leva derivativos ao centro do DeFi com liquidez compartilhada
A exchange criada por Jeff Yan e iliensinc, que foi ao ar no início de 2023, se consolidou como a plataforma preferida para contratos perpétuos com alavancagem. O diferencial que chama atenção agora não é o tamanho, mas o modelo.
Não se trata de ser a maior exchange de derivativos, mas de virar a infraestrutura para todo um ecossistema.
O HyperEVM, módulo compatível com Ethereum conectado ao blockchain HyperCore, permite que outros aplicativos componham sobre a liquidez compartilhada da plataforma. Wallets, exchanges e protocolos podem usar a Hyperliquid como backend.
É o conceito de composabilidade do DeFi aplicado aos derivativos. “Money legos” se encaixando.
O HyperEVM como backend de liquidez
Os números mostram por que isso está funcionando. A Hyperliquid registra US$ 6,12 bilhões em TVL, processa US$ 332 milhões em volume spot diário e responde por cerca de 8,3% de todo o open interest global de perp futures.
O token HYPE vale US$ 55,40, com market cap de US$ 12,33 bilhões. Mais de cem desenvolvedores integram o sistema de “builder codes”, incluindo MetaMask, Phantom e a exchange VALR. Juntos, os builders geraram US$ 90 milhões em receita até agora.
A MetaMask habilitou contratos futuros diretamente da wallet em outubro de 2025. O usuário negocia com os tokens que já tem na carteira, sem precisar abrir uma dApp separada. A Hyperliquid cuida da execução, do oracle e da margem, enquanto a MetaMask cobra 0,1% de taxa transparente e declarada.
“A Hyperliquid não é só uma exchange de perpétuos, é tipo a AWS das finanças”, disse Hansu Jian, CEO da Hyperion DeFi. A comparação com cloud computing não é exagerada. Os builders controlam a interface e os usuários, e a Hyperliquid fornece a liquidez e a execução nos bastidores.
A exchange sul-africana VALR descobriu na prática o valor do modelo. Depois de construir toda a infraestrutura de perpétuos internamente, a equipe percebeu que não conseguia competir em liquidez. “Por que não plugar em quem já tem?”, disse o CEO Farzam Ehsani.
Integrações que comprovam o modelo
O resultado é uma rede que se retroalimenta. Mais builders atraem mais liquidez, que atrai mais traders, que geram mais taxas, que financiam buybacks do HYPE. O programa de recompra já queimou 44 milhões de tokens, equivalentes a 4,4% do supply total, com US$ 1,1 bilhão gastos em recompras até aqui.
O mercado de ativos do mundo real já responde por cerca de um quarto do volume de perpétuos da plataforma, segundo a MetaMask. Commodities, ações e outros ativos tradicionais estão ocupando espaço que antes era dominado exclusivamente por criptomoedas.
O que a Hyperliquid está construindo é um mercado onde a liquidez não precisa ser fragmentada entre centenas de exchanges. Em vez de cada plataforma operar seu próprio livro de ordens com liquidez própria, os players podem compartilhar o mesmo pool profundo de liquidez.
O modelo de “builder codes” funciona como uma camada de distribuição. Cada integrador leva o produto para sua base de usuários sem precisar reconstruir a engenharia financeira por trás. A Hyperliquid vira o backend, e cada wallet vira o frontend.
Quando exchanges centralizadas como a VALR preferem se conectar a uma DEX em vez de competir, o sinal é claro e forte. A liquidez está migrando para onde o volume já existe, e não o contrário.
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