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OFAC sanciona seguradoras iranianas que aceitam Bitcoin em Hormuz

OFAC sanciona seguradoras iranianas que aceitam Bitcoin em Hormuz

O Tesouro dos Estados Unidos apertou o cerco contra o Irã no Estreito de Hormuz. Desta vez, os alvos não são apenas petroleiros, mas o sistema financeiro paralelo que o regime construiu para se sustentar.

O OFAC designou duas empresas que operam um esquema de seguro marítimo obrigatório, e uma delas aceita Bitcoin como forma de pagamento para furar as sanções.

A Persian Gulf Marine Insurance Company e a HormuzSafe Marine Services Authority foram sancionadas na quarta-feira sob a Ordem Executiva 13902, que mira o setor financeiro iraniano. As duas empresas fazem parte de uma estrutura controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), classificada como organização terrorista pelos EUA.

As apólices não são opcionais.

Navios que cruzam o estreito são obrigados a contratar o seguro, que cobre riscos que o próprio Irã cria, como sequestros de embarcações. A taxa começa em cerca de US$ 1 por barril de petróleo transportado, segundo o Tesouro americano.

O mecanismo começou em abril, depois que a Operação Epic Fury cortou parte da receita do país.

A HormuzSafe foi criada pelo Ministério da Economia do Irã. A empresa se apresenta como uma seguradora digital que oferece serviços de tráfego, segurança e resposta emergencial para navios que transitam o estreito. Mas nos bastidores, o negócio gera receita direta para a Guarda Revolucionária.

Para isso, a HormuzSafe aceita Bitcoin e outros ativos digitais como pagamento, numa tentativa deliberada de furar o bloqueio financeiro internacional que isola o país.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o Irã está com “a economia em colapso e inflação de três dígitos” e que “o regime está desesperado por dinheiro.”

O esquema de seguro que o Irã criou em Hormuz

A frase não resume apenas a situação fiscal do Irã. O país perdeu receitas significativas com os ataques americanos da Operação Epic Fury e está recompondo o fluxo de caixa com esquemas paralelos, como o seguro marítimo em Hormuz. O uso de crypto como meio de pagamento é a tentativa de evitar que as transações sejam rastreadas pelos sistemas de inteligência financeira dos EUA.

Fora das águas do estreito, o Tesouro também sancionou oito petroleiros da chamada shadow fleet. Os navios estão registrados em Hong Kong, Ilhas Marshall e China, e transportam petróleo bruto iraniano para compradores internacionais.

Desde janeiro, mais de 100 embarcações da frota paralela do Irã entraram na lista negra americana.

O cerco financeiro se expande

A pressão sobre o Irã não é nova, mas o uso de crypto como ferramenta de evasão de sanções dá ao caso um contorno que o Tesouro parece determinado a fechar.

Em meados de julho, o OFAC já havia sancionado quatro wallets ligadas ao Banco Central do Irã. Na mesma leva, a Tether congelou aproximadamente US$ 131 milhões em USDT mantidos nesses endereços. É o sinal de que o sistema financeiro americano alcança stablecoins também.

O esquema de Hormuz expõe como o Irã tenta monetizar o controle do estreito por onde passa um quinto de todo o petróleo transportado no mundo.

O Bitcoin entrou na equação como uma tentativa de escapar da vigilância dos EUA. O OFAC respondeu incluindo crypto no perímetro das sanções. Para o Tesouro americano, a moeda usada no pagamento não faz diferença.

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