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Q2 da Strategy expõe rombo de US$ 8,2 bi com bitcoin em baixa

Q2 da Strategy expõe rombo de US$ 8,2 bi com bitcoin em baixa

A Strategy registrou um prejuízo líquido de US$ 8,2 bilhões no segundo trimestre, puxado pelo markdown não realizado de US$ 8,32 bilhões sobre as holdings de bitcoin com a aplicação do fair-value accounting. O BTC caiu quase 50% desde o pico de US$ 126 mil em outubro de 2025.

É o maior prejuízo trimestral da história da empresa.

A maior detentora corporativa de bitcoin do mundo encerrou julho com 843.775 BTC no balanço. O estoque, que cresceu 25% desde janeiro, vale hoje cerca de US$ 54,8 bilhões contra um custo de aquisição de US$ 63,7 bilhões. No papel, a posição está US$ 8,9 bilhões no negativo.

Mas a perda contábil não queimou caixa de verdade.

A primeira venda de bitcoin da história

O resultado veio acompanhado de uma novidade que pegou o mercado de surpresa. A empresa vendeu US$ 218,4 milhões em bitcoin pelo novo BTC Monetization Program, a primeira venda expressiva desde que começou a acumular criptomoedas em 2020. Foram 3.588 BTC no total, vendidos abaixo do preço médio de US$ 75,5 mil por moeda.

Saylor quebrou o próprio tabu.

A decisão responde a uma pressão que vinha crescendo nos bastidores. A Strategy levantou US$ 17,06 bilhões em emissões de ações neste ano e recomprou US$ 1,5 bilhão em notas conversíveis com 8% de desconto. A engenharia financeira para bancar os dividendos das ações preferenciais STRC estava forçando a empresa a buscar caixa onde pudesse.

Só de dividendos anuais do STRC, a conta saltou de US$ 300 milhões para US$ 1,2 bilhão.

Para segurar o tranco, a Strategy montou uma reserva em dólares de US$ 3,75 bilhões. O CFO Andrew Kang disse que o caixa cobre 2,1 anos de pagamentos de dividendos e juros. A empresa também tem uma autorização de recompra de US$ 1 bilhão para ações MSTR e já comprou US$ 25 milhões em ações STRC com desconto.

O mercado recebeu o balanço com certo alívio.

A ação MSTR subiu 4,7% no pregão regular e fechou a US$ 97,74 antes de recuar após o fechamento. A ação ainda acumula uma queda de aproximadamente 76% desde o pico de US$ 404 alcançado em meados de 2025, ajustado pelo stock split de agosto de 2024.

Michael Saylor disse que a empresa segue focada no Digital Credit como uma nova classe de ativos para o mercado institucional.

O chairman afirmou que a empresa continua evoluindo o modelo de negócios e consolidando o crédito digital. O CEO Phong Le reforçou que a Strategy fortaleceu o balanço, com dívida menor e caixa maior.

Para quem acompanha a Strategy desde os tempos de MicroStrategy, o momento é de virada. A empresa passou de uma máquina de comprar bitcoin para uma gestora ativa que vende, emite ações e recompra dívida para se manter operacional. A tese original de acumular BTC para sempre não existe mais.

No mesmo trimestre de 2025, a empresa tinha registrado lucro de US$ 10 bilhões. O contraste não poderia ser maior.

O resultado expõe a fragilidade do modelo financeiro. A MSTR era o veículo preferido de investidores institucionais para exposição alavancada ao bitcoin. Com o BTC a US$ 64,9 mil e a ação a US$ 97, o múltiplo de alavancagem encolheu e o apelo diminuiu. A virada na estratégia pode funcionar, mas o relógio corre enquanto o bitcoin não reagir.

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