DeFi

Liquidez concentrada: 85% do capital em DEXs fica parado

Mais de US$ 540 milhões por semana ficam parados em pools de liquidez concentrada sem gerar um centavo em taxas. O número impressiona, mas o problema não é técnico. Um estudo da Dune Analytics para a 1inch, que cobriu 200 pools em sete blockchains, mostrou que 85% do capital alocado nesse modelo simplesmente não é aproveitado. E a fatura anual para quem bota o dinheiro para trabalhar é de US$ 150 milhões em taxas perdidas.

O culpado não é o protocolo nem o design dos contratos inteligentes. É o comportamento de quem deposita. A pesquisa descobriu que carteiras individuais concentram a maior parte do capital ocioso. Foram 94% na Ethereum, 92% na Arbitrum, 82% na Base. Enquanto bots e gestores automatizados mantêm a liquidez na faixa certa 93,5% do tempo, o investidor pessoa física acerta só 70%. E mais de US$ 200 milhões parados não eram tocados há mais de 90 dias. Gente que depositou e simplesmente esqueceu.

O que a liquidez concentrada prometia era exatamente o oposto disso, ou seja, mais eficiência com menos capital. Mas o modelo jogou a responsabilidade do gerenciamento ativo nas costas do usuário, e a maioria não está preparada para isso. Não por falta de capacidade técnica, mas porque o incentivo é baixo. Quem coloca US$ 500 numa pool não vai ficar monitorando faixa de preço todo dia.

A 1inch, que bancou o estudo, tem um motivo óbvio para isso, já que vende ferramentas de gestão de liquidez. Mas o dado de que as AMMs tradicionais (modelo v2) deixavam 98,7% do capital inativo coloca as coisas em perspectiva. A liquidez concentrada foi um salto enorme, só que o gargalo deixou de ser tecnológico e passou a ser humano. Enquanto o DeFi não resolver a equação entre usabilidade e eficiência, o capital vai continuar parado, e o gato vai continuar fazendo o trabalho que o dono não quer fazer.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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