DeFi

Triple-A sofre ataque em seis blockchains e perde US$ 9,7 milhões com hot wallets

A Singapore-based Triple-A, gateway de pagamentos que permite a empresas aceitar crypto e liquidar em moeda fiduciária, teve mais de US$ 9,7 milhões drenados de suas hot wallets entre quinta-feira e sexta-feira. O alerta veio da PeckShield, empresa de segurança on-chain, e foi corroborado por pelo menos dez veículos independentes que acompanharam a movimentação dos fundos.

O invasor atingiu wallets em seis blockchains diferentes, entre elas Ethereum, Tron, Polygon, Arbitrum, Solana e TON. Em cada uma delas, os ativos líquidos foram trocados por stablecoins e depois transferidos para a Ethereum, onde o responsável consolidou aproximadamente 5.227 ETH em um único endereço, 0x01F8…53b1.

Quem primeiro identificou a movimentação foi o investigador on-chain Specter. Pouco depois, a PeckShield publicou um alerta que confirmava que wallets vinculadas à Triple-A haviam sido comprometidas. A empresa opera uma infraestrutura de pagamentos que mantém pools rotativos de fundos de clientes em hot wallets para processar transações rapidamente. A velocidade é a razão de existir do negócio, mas também o seu ponto cego mais evidente.

A blockchain não mente e o rastro do atacante está exposto para quem quiser ver. Os fundos saíram em várias etapas, não em um único movimento, o que sugere método e paciência. Ele converteu os ativos em stablecoins nos DEXs de cada rede antes de fazer a ponte para a Ethereum. O padrão é idêntico ao que a PeckShield flagrou há duas semanas no exploit da Hedera, quando US$ 5,25 milhões foram transferidos para a Ethereum. Em maio, a Gravity Bridge perdeu US$ 5,4 milhões no mesmo esquema, com o atacante que usou múltiplos serviços para obscurecer o rastro.

O setor não passa por um mês leve. Só em junho, a PeckShield contabilizou US$ 75,87 milhões perdidos em 40 incidentes separados. Uma queda de apenas 7,13% em relação a maio, que registrou US$ 81,7 milhões. Hot wallets comprometidas seguem entre os vetores mais comuns.

Triple-A não se pronuncia oito horas após ao ataque

Mais de oito horas depois do alerta da PeckShield, a Triple-A ainda não havia emitido nenhum comunicado oficial. Nenhum pronunciamento sobre se os fundos de clientes foram afetados, se houve interrupção nos pagamentos dos merchants que usam a plataforma ou se a empresa tem reservas para cobrir o rombo. O silêncio é ensurdecedor para uma empresa licenciada em Singapura que processa pagamentos em crypto e precisa da confiança dos seus parceiros comerciais para operar. Enquanto a Triple-A não se manifesta, merchants que dependem da liquidação em moeda fiduciária podem estar com operações comprometidas sem saber.

O mercado de crypto opera hoje com BTC a US$ 64.079 e ETH a US$ 1.864, segundo dados ao vivo do CoinGecko. O Fear & Greed Index marca 27 pontos, ainda em território de medo, após cair de 28 ontem. Em ambientes assim, notícias de segurança costumam ter efeito amplificado sobre a confiança dos investidores.

Nos próximos dias, investigadores devem monitorar o endereço 0x01F8…53b1 em busca de movimentação para exchanges centralizadas ou serviços de mixing. Se o atacante tentar sacar os fundos, pode ser identificado e as exchanges podem congelar os ativos. Até lá, o caso se junta a uma lista crescente de exploits que expõem a fragilidade das infraestruturas de pagamento em crypto.

A Triple-A ainda pode se pronunciar e detalhar um plano de compensação para clientes e merchants afetados. Enquanto isso não acontece, o rastro on-chain continua visível para qualquer pessoa que queira segui-lo em qualquer explorador de blockchain público.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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