Com US$ 525 milhões a mais no caixa, a Strategy agora tem 2,1 anos de dividendos garantidos
Com US$ 525 milhões a mais no caixa, a Strategy agora tem 2,1 anos de dividendos garantidos
Michael Saylor confirmou o movimento direto na rede social. A Strategy aumentou a reserva em dólares em US$ 525 milhões via venda de ações, sem tocar nos bitcoins do balanço. A conta fecha em 2,1 anos de dividendos garantidos.
O documento entregue à SEC mostra que a companhia levantou US$ 544,5 milhões vendendo 5,4 milhões de ações MSTR pelo programa ATM, sem emissão de novas preferenciais nem venda de ativos digitais. A reserva total saltou de US$ 3,2 bilhões para US$ 3,75 bilhões. A cobertura de dividendos, que no fim de junho preocupava o mercado com apenas 14 meses de caixa, agora passa dos dois anos.
Saylor postou no domingo a imagem do tracker com uma pista. “We’re gonna need another color”. A brincadeira veio 23 horas antes do anúncio virar documento oficial.
US$ 525 milhões a mais no caixa e 2,1 anos de dividendos
As holdings seguem congeladas em 843.775 BTC pelo sexto pregão seguido. A empresa não compra desde o fim de junho, quando ativou o Digital Credit Capital Framework. Pela primeira vez desde 2020, a Strategy opera um modelo que permite comprar e vender, e a escolha até agora tem sido emitir ações e segurar o estoque de bitcoin.
O prejuízo não realizado soma US$ 9,47 bilhões com o bitcoin a US$ 64.990. Cada moeda foi comprada a US$ 75.476 em média.
A recompra de ações preferenciais continuou. Foram 288.930 papéis STRC por US$ 25 milhões, sem tocar nas séries STRF, STRK ou STRD. A empresa ainda tem US$ 975 milhões disponíveis no programa de recompra de títulos digitais.
O programa de recompra de ações ordinárias MSTR tem US$ 1 bilhão em capacidade não usada. Nenhuma ação comum foi recomprada na semana.
As capacidades dos programas ATM mostram o tamanho da máquina. Para a STRF, restam US$ 1,62 bilhão. Para a STRC, US$ 17,51 bilhões. STRK tem US$ 2,10 bilhões e STRD, US$ 4,01 bilhões. As ações MSTR têm US$ 22,98 bilhões. Somados, mais de US$ 48 bilhões em potencial de captação.
Holdings congeladas, ATM a todo vapor e o Fed no horizonte
Para quem comprou as preferenciais da Strategy, o movimento é direto. Os dividendos de 12% ao ano estão protegidos por mais tempo sem depender de venda de bitcoin.
O documento de 27 páginas foi assinado por Thomas C. Chow, vice-presidente executivo e conselheiro geral da Strategy, sob o Item 7.01 da Lei de Câmbio. A categoria cobre informações financeiras relevantes que não exigem comunicado imediato ao mercado, mas que investidores precisam conhecer.
O mercado de ações não reagiu com sustos. A MSTR segue como o termômetro mais direto da confiança na gestão de Saylor.
Quando a Strategy lançou o escudo de US$ 2,55 bilhões no fim de junho, o STRC valia US$ 82 e o yield batia em 14%. Desde então, o caixa cresceu US$ 775 milhões e a ação preferencial se estabilizou. As dúvidas sobre o modelo de longo prazo seguem abertas.
O posto de maior detentora corporativa de bitcoin segue intacto. São 843.775 BTC, quase vinte vezes o que qualquer outra empresa possui.
Para investidores institucionais que evitam custódia direta, a MSTR segue como proxy de bitcoin. O problema real está na diluição das ações ordinárias, que corrói valor a cada captação. As vendas ATM das últimas três semanas somaram mais de 10 milhões de papéis.
Até onde a máquina de captação consegue rodar antes de encontrar o limite da paciência do mercado? A cada US$ 500 milhões em caixa, investidores pesam quanto vale o bitcoin que a empresa não vendeu.
A semana tem a decisão do Fed pela frente, com 40% de chance de alta dos juros. Para a Strategy, juros mais altos significam custo maior para rolar dívida e pressão extra sobre o modelo de emissão de ações. A conta ainda fecha, mas a margem nunca foi tão apertada.
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