Strive compra na contramão do mercado e chega a 20.000 BTC
A Strive não desacelerou enquanto outras tesourarias reduziam exposição ao bitcoin. A gestora de Matt Cole aproveitou a semana entre 20 e 24 de julho para comprar mais 79 BTC, segundo filing enviado à SEC na segunda-feira.
O preço médio foi de US$ 65.723 por moeda, com gasto total de aproximadamente US$ 5,2 milhões incluindo taxas e despesas da transação realizada entre 20 e 24 de julho.
A compra elevou o portfólio da empresa de 19.921 para exatos 20.000 BTC, um marco simbólico para quem adotou a criptomoeda como ativo de reserva há menos de um ano. Com o BTC cotado a US$ 64.891, a posição da Strive vale cerca de US$ 1,3 bilhão.
A empresa é agora a sétima maior detentora corporativa de bitcoin entre as empresas de capital aberto, atrás de nomes como a Strategy com 843.775 BTC, a Twenty One Capital com 43.500 e a Metaplanet com 43.000.
Todas são referências no emergente mercado de tesourarias digitais, cada uma com sua própria estratégia de aquisição e gestão de reservas.
A máquina de captação por trás dos 20.000 BTC
A jornada da Strive começou em setembro de 2025, quando a empresa adotou o bitcoin como ativo de tesouraria e deu início a uma acumulação consistente que segue até hoje.
O salto veio em janeiro de 2026 com a fusão com a Semler Scientific. O negócio foi pago integralmente em ações da Strive, sem envolver dinheiro, e trouxe mais de 5.000 BTC para o balanço. De uma só vez, o portfólio mais que dobrou.
Para financiar a acumulação, a empresa vende ações preferenciais SATA e ordinárias ASST. O programa de captação autoriza a levantar até US$ 4,2 bilhões, e a meta é converter esse dinheiro em bitcoin assim que entra no caixa. A estratégia permite continuar comprando independentemente do fluxo de caixa operacional, o que dá à Strive uma vantagem sobre tesourarias que dependem de lucros para acumular. É um ciclo que se retroalimenta enquanto houver apetite do mercado pelas ações.
O modelo segue a lógica usada pela Strategy. Crescer o BTC por ação mais rápido do que o preço do bitcoin sobe. Não se trata apenas de acumular, mas de diluir menos os acionistas enquanto a reserva em crypto aumenta. É uma abordagem que exige disciplina de captação e execução.
O caixa disponível está em US$ 157,4 milhões, com aumento em relação aos US$ 154,1 milhões de julho. Um número que mostra que a empresa ainda tem fôlego para continuar comprando nos próximos meses.
O resultado operacional, porém, ainda preocupa. O TradingView registrou US$ 154 milhões já descontada a compra dos 79 BTC. O prejuízo líquido trimestral é de US$ 393,6 milhões. A empresa queima caixa enquanto acumula bitcoin, e a equação se sustenta enquanto o mercado absorver novas captações de equity.
Na contramão das tesourarias tradicionais
Strive compra na contramão do setor. A Satsuma Technology vendeu 579 BTC em dezembro e neste mês votou pela venda do restante de 668 BTC, zerou a exposição. A Metaplanet pausou as compras.
A Smarter Web Company, a Nakamoto e outras tesourarias que entraram no ciclo anterior estão se desfazendo dos estoques. O movimento de saída não é isolado e reflete um momento de cautela raro no mercado de reservas corporativas.
A própria Strategy, a maior detentora de BTC entre as empresas de capital aberto, também parou de comprar. Michael Saylor não adiciona bitcoin ao balanço desde o fim de junho. Em vez disso, a empresa tem usado a venda de ações MSTR para reforçar o caixa em dólares.
A notícia da pausa veio no mesmo dia do anúncio da Strive, um contraste direto entre as duas abordagens. Enquanto uma desacelera, a outra acelera.
Nem todo mundo está recuando. A Strive aproveita o momento para ganhar espaço relativo. Com US$ 4,2 bilhões autorizados para captação, a empresa tem uma vantagem que concorrentes dependentes de fluxo de caixa operacional não têm.
Cada compra da Strive é um sinal de que, para pelo menos uma gestora, o bitcoin continua sendo a melhor reserva de valor disponível. Mesmo com o preço 10% abaixo do pico de 2026 e o mercado dividido sobre o próximo movimento da crypto, a empresa mantém a convicção de que acumular é o caminho certo.
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