Mercado Crypto

USDT perde US$ 5,5 bi em oferta com giro de stablecoins em nível recorde

O mercado de stablecoins está encolhendo pela primeira vez em anos, mas a contração diz menos sobre demanda do que aparenta. A capitalização total caiu 4,3% desde o pico de maio de US$ 322,41 bilhões para US$ 308,5 bilhões, com junho registrando uma queda de US$ 7,7 bilhões, a maior contração mensal desde o colapso da Terra em 2022.

A Tether liderou a retração. Sua USDT caiu de US$ 189,54 bilhões em 1º de maio para US$ 184 bilhões no fim de julho, com a USDC da Circle recuando de US$ 77,27 bilhões para US$ 72,41 bilhões no mesmo período, todos os dados confirmados ao vivo via DeFiLlama.

Enquanto a oferta encolhe, o volume de transações ajustadas de stablecoins atingiu o recorde de US$ 1,83 trilhão em junho, o que representa uma alta de 63% em relação a maio e mais que o dobro do nível registrado um ano antes.

O contraste entre oferta em queda e volume em disparada expõe uma mudança estrutural no uso de stablecoins.

O giro acelera enquanto a oferta encolhe

Menos dólares digitais estão parados.

O dinheiro que permanece no mercado está circulando mais rápido. A velocidade média de rotação das stablecoins subiu para cerca de seis vezes por mês, segundo nota do Standard Chartered de março de 2026, o dobro da taxa observada dois anos antes. Cada dólar de stablecoin hoje move mais valor do que movia em 2024.

Parte do capital que saiu da oferta circulante foi para títulos do Tesouro tokenizados, que oferecem rendimento indisponível nas stablecoins de pagamento. Esse setor saltou de US$ 11 bilhões em março para mais de US$ 16 bilhões, segundo dados da rwa.xyz.

O GENIUS Act explica o movimento.

Sancionado em julho de 2025, o GENIUS Act impede que emissores de stablecoins paguem juros diretamente sobre os tokens de pagamento. A regra incentiva tesoureiros a manter suas reservas em fundos tokenizados e usar stablecoins apenas quando precisam liquidar pagamentos, o que naturalmente acelera o giro.

O resultado é que a métrica relevante mudou.

A capitalização de mercado das stablecoins ainda importa porque os emissores ganham juros sobre as reservas, mas para redes, processadores e plataformas financeiras, a frequência de transações se torna a medida mais valiosa. E nesse quesito, junho foi um mês histórico.

A USDC emergiu como o principal ativo de liquidação, mesmo tendo oferta menor que a USDT. Processou US$ 1,21 trilhão em volume ajustado em junho, contra US$ 576 bilhões da USDT. O domínio da Circle no campo dos pagamentos reflete sua estratégia regulatória e integração com o sistema financeiro tradicional, enquanto a USDT mantém a liderança em oferta circulante.

A ressalva é que nem todo movimento na blockchain representa pagamento econômico real. Transferências automatizadas, movimentações entre exchanges e wash trading inflam os números brutos.

Segundo a Forbes, a McKinsey e a Artemis estimaram que os pagamentos identificáveis no mundo real representaram cerca de US$ 390 bilhões em 2025. Desse total, US$ 226 bilhões foram transações entre empresas e US$ 90 bilhões em folhas de pagamento e remessas.

A participação dos pagamentos reais ainda é pequena no universo das stablecoins, mas cresceu de forma consistente em dois anos, saindo de patamares marginais para US$ 390 bilhões anuais.

Se a trajetória continuar, junho de 2026 pode ser lembrado como o mês em que as stablecoins deixaram de ser colateral parado para se tornar infraestrutura financeira ativa. A oferta encolhe, o giro acelera, e o mercado aprende a medir valor de outra forma.

⚠️ Aviso importante

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