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Iran, petróleo e Fed testam Bitcoin que se mantém estável em meio ao caos

O Bitcoin abriu o pregão desta quinta-feira negociado a US$ 64.884, praticamente estável apesar de uma combinação de eventos macroeconômicos que derrubaram os mercados tradicionais. O petróleo disparou 8% e voltou a superar os US$ 90 por barril depois que o presidente Donald Trump sinalizou novos ataques contra o Irã, elevando o risco geopolítico no Oriente Médio.

O Dow Jones fechou em queda de 2,2%, e o Nasdaq recuou ao menor nível em três meses. O movimento refletiu o temor de que a escalada militar possa interromper o fornecimento global de energia e reacender pressões inflacionárias.

O Federal Reserve veio de um lado oposto. O banco central americano sinalizou que as taxas de juros ainda podem subir, num momento em que o mercado já precificava cortes para setembro. A mensagem foi recebida como um choque adicional para ativos de risco.

Em condições normais, três choques simultâneos, choque geopolítico com petróleo em alta, choque monetário com juros apertados e choque de risco com queda das bolsas, seriam suficientes para pressionar o Bitcoin para baixo.

Desta vez não foi o que aconteceu. O BTC oscilou dentro de uma faixa estreita entre US$ 63.247 e US$ 64.788 nas últimas 24 horas, segundo dados da CoinGecko. A variação foi de apenas 0,8%.

O Ethereum também acompanhou a estabilidade, negociado a US$ 1.921, com alta de 1,18% no dia.

O Fear & Greed Index marcou 28 pontos, mantendo-se em território de medo extremo. A leitura sugere que o mercado já estava posicionado de forma defensiva antes mesmo dos eventos adversos.

A capitalização total do mercado crypto é de US$ 2,30 trilhões, com o Bitcoin respondendo por 56,63% de dominância. O número elevado indica que o capital prefere o ativo de maior liquidez em momentos de incerteza.

O mercado de derivativos não mostrou sinais de pânico. As liquidações foram moderadas para os padrões recentes, sem o volume de posições alavancadas sendo desmontado que caracterizou eventos anteriores.

Três choques, uma resposta

A resiliência do Bitcoin diante de petróleo a US$ 90, de uma Fed que ainda ameaça subir juros e de uma escalada militar no Oriente Médio não é um acaso. O ativo passou por um período prolongado de desalavancagem nos meses anteriores.

Junho foi o pior mês do BTC desde 2022, com queda de 20,4%. Julho se recuperou com alta de 9,6%, mas essa alta veio com volume spot nos menores patamares desde 2019. O mercado de derivativos também reflete o quadro com o open interest da CME perto de mínimos plurianuais, sinal de que o capital especulativo não voltou.

O que se vê agora é um ativo que já andou para baixo antes dos eventos e, por isso mesmo, tem menos gordura para queimar. O mercado já está enxuto, vendido e cauteloso.

Isso não significa que o Bitcoin esteja imune a novos choques. Significa que o cenário adverso já estava em grande parte precificado.

A combinação de petróleo caro, juros altos e guerra no Oriente Médio segue sendo o cenário mais desafiador para ativos de risco desde 2022. O Bitcoin, que caiu 20,4% em junho e depois se recuperou 9,6% em julho, está sendo testado num ambiente para o qual nenhum ativo financeiro foi desenhado. Se sustentar os US$ 64 mil nesta configuração, o caso para uma reversão estrutural ganha força.

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