Bitcoins de 2013 despertam e vão para custódia da Bitgo
Moedas guardadas desde 2011, quando o bitcoin não passava de três dólares, agora valem mais de sete milhões. Nos primeiros cinco dias de setembro, 626,74 bitcoins que estavam parados há anos foram movidos. A cifra ultrapassa os 50 milhões de dólares. Nas últimas semanas, essas peças do acervo cripto começaram a sair das gavetas.
O movimento acendeu o alerta de quem acompanha o mercado em busca de sinais sobre o que os grandes holders estão planejando. Holder antigo que decide mexer uma carteira após mais de uma década costuma ter um motivo claro.
O episódio mais chamativo ocorreu no sábado, dia 5, e envolveu um movimento coordenado que pouca gente esperava ver. Oito carteiras criadas em 2013 acordaram em sequência, cada uma transferindo exatamente 25 bitcoins, todas dentro de uma janela de 25 segundos, no bloco 965.625.
O despertar das carteiras antigas
A sincronia não deixa espaço para coincidência e indica uma única entidade consolidando seus fundos. Transações tão coordenadas dificilmente ocorrem por acaso no blockchain.
A Arkham Intelligence, plataforma de rastreamento on-chain, confirmou que as oito transferências convergiram para a Bitgo, custodiadora regulada de ativos digitais. Metade chegou a um endereço marcado pela Arkham como operado pela Bitgo. A outra metade seguiu para outro endereço não classificado, mas tudo indica ser a mesma custodiadora.
Ao todo, 346,05 bitcoins saíram de endereços de 2013 em nove transferências. Descontando as oito que foram para a Bitgo, uma única transação movimentou 146,05 bitcoins no dia 2 de setembro.
O segundo maior despertador veio de ainda mais longe. Três carteiras datadas de 2011 transferiram juntas 90,50 bitcoins, equivalentes a 7,22 milhões de dólares pelo preço atual. Quando foram adquiridas, em outubro e novembro daquele ano, o bitcoin cotava a cerca de 3,15 dólares. O lote custou aproximadamente 285 dólares na época.
O salto de 285 para mais de sete milhões em treze anos mostra o tipo de retorno que só o bitcoin entre os ativos modernos conseguiu entregar. Uma multiplicação que ultrapassa qualquer índice de ações ou fundos de renda fixa no mesmo período.
Carteiras de 2012, 2014, 2015 e 2017 também se mexeram. Moedas de múltiplas eras estão em movimento.
A atividade com bitcoins vintage em setembro representa apenas 9,75% do total movido em agosto. A média diária caiu de 214,25 para cerca de 125,34 bitcoins. O movimento perdeu força, mas não parou.
O contexto por trás do movimento
Desde 30 de julho, quando veio à tona a exploração de uma falha na Coldcard, carteiras dormentes ganharam um novo impulso. A vulnerabilidade, introduzida em março de 2021, reduziu a entropia da geração de chaves de 128 bits para cerca de 40 bits em alguns dispositivos. O prejuízo estimado ultrapassa os 130 milhões de dólares.
Se a sua carteira foi gerada em um dispositivo vulnerável, seus fundos podem estar em risco. Muitos holders de longa data decidiram que era hora de mover.
Custódia profissional, não venda
Não se trata de venda no mercado spot, mas de transferência para custódia profissional. Quando um holder envia bitcoins para uma exchange, o mercado interpreta como pressão vendedora. Quando manda para uma custodiadora como a Bitgo, o sinal é outro. A pessoa quer proteger o que tem, não se desfazer.
A consolidação de oito carteiras em uma única entidade indica alguém que estava com fundos espalhados e decidiu centralizar a guarda. Um movimento de segurança, não de desinvestimento.
O bitcoin negocia a 79.780 dólares. O preço se move entre 76 mil e 82 mil nos últimos dias, sem direção clara.
Se o ritmo de setembro se mantiver, o mês fechará com a menor movimentação de bitcoins vintage em bastante tempo. Ainda é cedo para saber se isso significa que os holders já moveram o que precisavam ou se a calmaria é apenas uma pausa.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.