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O setembro que derrubava o Bitcoin agora é o melhor em 14 anos

O Bitcoin acumulava alta de cerca de 10% no mês até esta terça-feira, 22, e caminhava para o melhor resultado de setembro desde 2012, quando o BTC avançou cerca de 20%. O movimento se concentrou na segunda metade do período, quando o preço saiu da casa dos US$ 75 mil e voltou para perto de US$ 87 mil, no maior nível desde o fim de janeiro.

A recuperação apagou parte do estrago de um ano irregular. Na noite de 15 de setembro o Bitcoin chegou a valer US$ 75,4 mil e devolveu quase US$ 12 mil por moeda em uma semana. Na manhã desta terça, o ativo girava perto de US$ 86 mil.

O histórico de setembro pesa contra o Bitcoin

Setembro fechou no vermelho em oito dos 13 anos entre 2013 e 2025. De 2017 a 2022, a sequência foi de seis quedas consecutivas, e o mês só voltou a terminar positivo em 2023, com alta de quase 4%. A maior perda da série aconteceu em 2014, quando o Bitcoin recuou 18,4% em setembro. Depois da retomada de 2023, o sinal se manteve, ainda que em escala menor.

O BTC subiu 7,4% em setembro de 2024 e 5,4% em 2025, ganhos que ficam abaixo do que o mês entregou em 2012. Com cerca de 10% acumulados em 2026, o resultado atual se aproxima daquela marca sem superá-la, e faltam oito dias para o fechamento mensal.

Gráfico de barras com o retorno percentual do Bitcoin em cada setembro, de 2012 a 2026, com a barra de 2026 destacada em âmbar por ser um mês ainda em curso
Retorno percentual do Bitcoin em setembro, de 2012 a 2026. A barra em âmbar é o mês de 2026, ainda em curso.

Em setembro de 2012, o Bitcoin valia perto de US$ 12. O mercado de hoje trabalha com um ativo de US$ 86 mil, uma indústria de fundos de índice e uma base institucional que não existia na época.

O rali ganhou força na segunda metade do mês

A virada começou no ponto mais fraco do mês. O Bitcoin tocou o fundo na noite de 15 de setembro, horas depois de o Senado americano travar a tramitação do CLARITY Act. No dia seguinte, o Federal Reserve subiu os juros pela primeira vez em mais de três anos e levou a taxa básica americana ao intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. O preço não cedeu mais.

A pressão vendedora perdeu força na sexta-feira, 18. O BTC rompeu a faixa dos US$ 80 mil e o mercado liquidou cerca de US$ 540 milhões em posições alavancadas. Quase US$ 470 milhões dessa conta pertenciam a quem apostava na queda.

O salto de sexta-feira tem uma explicação técnica. Quando uma posição vendida é encerrada à força, a corretora precisa recomprar o ativo no mercado, e essa recompra obrigatória empurra a cotação para cima. O processo se alimenta de si mesmo enquanto houver apostas na queda no caminho, o que explica a velocidade da alta.

O segundo empurrão veio dos fundos de índice americanos que replicam o Bitcoin à vista. Na segunda-feira, 21, esses produtos registraram entradas líquidas de US$ 999 milhões, o maior volume em uma única sessão desde o começo de outubro de 2025 e o melhor dia de 2026. Em moedas, a compra equivale a cerca de 11,5 mil bitcoins, ou quase 26 vezes a emissão diária da rede. Três produtos responderam por 91% do total, e nenhum fundo registrou saída no dia.

O Bitcoin ainda não apagou as perdas de 2026

O mês forte não devolve ao Bitcoin o que o ano tirou. O ativo segue cerca de 31% abaixo do recorde de US$ 126,1 mil registrado em outubro do ano passado, e o acumulado de 2026 continua praticamente estável, depois de meses de correção.

A mínima do ciclo foi marcada entre o fim de junho e o começo de julho, perto de US$ 58 mil. Daquele ponto até a cotação atual, o Bitcoin acumula ganho de cerca de 48%.

O caminho de volta ao topo é mais longo do que parece. Entre US$ 58 mil e US$ 70 mil estão concentradas as compras de uma faixa inteira de investidores, cerca de US$ 300 bilhões em base de custo que voltou ao lucro com a recuperação. É essa massa de posições que sustenta o preço atual.

O fluxo dos ETFs voltou ao centro do mercado

A recuperação não depende só do mercado de derivativos. Os ETFs americanos voltaram a funcionar como canal de entrada e saída do capital institucional, e o mês mostra como esse fluxo oscila. Depois de dois dias de resgate em 15 e 16 de setembro, que somaram cerca de US$ 746 milhões, os fundos engataram três sessões seguidas de entradas e fecharam a sequência com o maior aporte diário do ano. Os resgates vieram quando o preço testava a mínima do mês, e a virada do fluxo acompanhou a do mercado.

No acumulado de setembro, as entradas chegam a US$ 1,31 bilhão, depois de agosto ter registrado US$ 3,52 bilhões. O patrimônio líquido da categoria alcançou US$ 110,1 bilhões, o equivalente a 6,3% de toda a capitalização do Bitcoin.

Na conta do ano, a categoria ainda não zerou o prejuízo. Os resgates de 2026 superam as entradas em torno de US$ 450 milhões, resultado de uma sangria que se estendeu até julho e só começou a virar com a retomada do preço. O patrimônio atual combina aportes novos e a valorização das cotas antigas.

O Ether acompanhou o movimento, com US$ 270 milhões de entrada nos fundos na segunda-feira, o melhor dia desde outubro de 2025. A demanda foi do setor inteiro, não só do Bitcoin.

O último trecho de setembro será decisivo

Com oito dias pela frente, o mercado já trata o mês como resolvido e mira o próximo alvo. A marca de US$ 90 mil voltou ao radar depois da alta para quase US$ 87 mil, e a faixa entre US$ 80 mil e US$ 85 mil concentrou os negócios durante a subida.

Na sexta-feira, 25, a Deribit liquida 186 mil bitcoins em opções abertas, o equivalente a US$ 16 bilhões na cotação desta terça-feira.

Vencimentos desse porte mexem com o preço nas sessões finais, porque parte das posições é rolada para o mês seguinte e outra parte é liquidada. Para retomar o recorde de outubro do ano passado, o Bitcoin precisaria subir mais de 45% a partir do nível atual, o que deixa o topo histórico fora do alcance de setembro.

O que já está definido é a quebra do padrão sazonal. Depois de anos em que setembro funcionou como um mês de pressão para o Bitcoin, 2026 colocou o período entre os melhores da história do ativo. O fechamento oficial sai na quarta-feira, 30, e só ele confirma se a alta de cerca de 10% se mantém inteira. Nos últimos dias, dois números devem mexer com o preço, o fluxo diário dos ETFs americanos e a rolagem das opções que vencem nesta sexta-feira.

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