Bitcoin

Primeira compra de bitcoin em dois meses, Strategy adiciona 4.603 BTC

Retomada após dois meses de pausa

A Strategy retomou as compras de bitcoin depois de quase dois meses parada. A empresa de Michael Saylor adquiriu 4.603 BTC entre 24 e 30 de agosto, desembolsando US$ 369,7 milhões a um preço médio de US$ 80.318 por moeda. O movimento está registrado no 8-K protocolado na SEC na manhã desta segunda-feira.

A primeira adição à reserva desde o fim de junho.

Entre a última compra, na semana que terminou em 21 de junho, e esta, a empresa passou por uma venda pontual de 3.588 BTC em julho, a primeira desde 2022, para pagar distribuições das ações preferenciais e recompor a reserva em dólar. Depois disso, havia apenas levantado capital, sem voltar a acumular o ativo.

O financiamento via emissão de ações

O financiamento da nova compra veio da emissão de ações. A Strategy vendeu 4,53 milhões de papéis ordinários MSTR em oferta at-the-market, levantando US$ 602,8 milhões líquidos. Do total, US$ 369,7 milhões foram para o bitcoin, US$ 151,8 milhões para a recompra de ações preferenciais STRC e US$ 50,7 milhões para dividendos do mesmo papel, com os US$ 30 milhões restantes indo para a conta de liquidez em dólar.

A recompra de STRC continuou no ritmo das últimas semanas. Foram 1,55 milhão de papéis recomprados no período, depois dos 1,43 milhão da semana anterior.

A preferencial segue abaixo do valor nominal de US$ 100, e a empresa mantém US$ 364,8 milhões disponíveis no programa de recompra dedicado a esse título, além de US$ 1 bilhão autorizado para o papel comum.

O que a retomada sinaliza

Com a adição, o tesouro da Strategy subiu para 845.050 BTC. O custo total acumulado chegou a US$ 63,73 bilhões, a um preço médio de US$ 75.412 por moeda. No preço atual do bitcoin, em torno de US$ 78.000, a reserva está ligeiramente acima do custo médio de aquisição, o que indica que a tese de acumulação voltou a operar em terreno positivo.

A Strategy concentra 4% da oferta total de bitcoin e segue como o maior acionista corporativo do ativo. O painel público de tesouraria da própria empresa confirmou os mesmos números divulgados no 8-K.

O contexto da compra importa tanto quanto o número. Nos meses anteriores, a Strategy vinha sendo pressionada pela queda das ações preferenciais e pela necessidade de manter a reserva em dólar elevada. Em agosto, chegou a levantar US$ 2 bilhões em uma semana apenas com vendas de ações, sem comprar bitcoin, em um sinal de que o caixa era a prioridade naquele momento. Agora a equação mudou.

Com a reserva em dólar em US$ 5,1 bilhões e a conta de liquidez em US$ 1,61 bilhão, a empresa retomou o fluxo esperado pelo mercado, que envolve emitir papel, converter parte do caixa em bitcoin e sustentar o programa de recompra das preferenciais.

O preço médio de US$ 80.318 da última compra ficou acima do custo médio total da empresa, de US$ 75.412. A Strategy voltou a comprar com o bitcoin em patamar mais alto do que a média histórica de sua carteira, o que sinaliza confiança na direção do preço mesmo depois de um ano de queda acentuada da ação. O MSTR acumula queda de cerca de 39% no ano, em linha com o desempenho fraco do setor, mas o anúncio da compra teve efeito imediato sobre o papel, que subia nas negociações fora do pregão regular na manhã desta segunda-feira.

O bitcoin, por sua vez, operava perto de US$ 78.000, com pequena variação negativa nas últimas 24 horas. O ativo vinha de um agosto forte, mas a recuperação dos patamares vistos no fim de 2024 ainda não se completou, e o mercado segue atento ao próximo movimento da maior compradora corporativa.

Para os acionistas da Strategy, a retomada das compras tem dois lados. De um lado, confirma que a empresa voltou ao seu desenho original de negócio, acumulando bitcoin enquanto o mercado permitir. De outro, mantém a dependência da emissão contínua de ações para financiar as aquisições, o que dilui os atuais detentores a cada ciclo. A estrutura de capital criada pela empresa, com quatro séries de ações preferenciais e um programa de recompra ativo, segue sendo o principal termômetro da saúde do modelo. Enquanto o STRC negociar abaixo dos US$ 100, o custo de captação via esse papel permanece alto, e a empresa tende a seguir financiando as compras com ações comuns.

O que o mercado observa agora é se a retomada se sustenta. Nas semanas seguintes, a pergunta é se a Strategy volta ao ritmo de compras semanais que marcou o primeiro semestre ou se o movimento desta semana foi pontual, condicionado ao nível do preço e à necessidade de sustentar as preferenciais.

A pausa de dois meses mostrou que a empresa ajustou seu comportamento ao ciclo. Quando o bitcoin caiu e o caixa precisou ser reforçado, ela vendeu parte da reserva e levantou capital. Quando as condições permitiram, retomou a acumulação. A flexibilidade é nova na história da Strategy, mas o destino final do capital continua o mesmo. A compra de 4.603 BTC reafirma o compromisso com a reserva em bitcoin e devolve à empresa a narrativa de comprador recorrente, financiado por emissão de ações e disposto a acumular o ativo independentemente do humor de curto prazo do mercado.

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