Custo de GPU da transação quântica cai 79% e fica abaixo de US$ 67
Sete dias de desafio aberto derrubaram o custo em GPU de montar uma transação bitcoin à prova de computadores quânticos, de uns US$ 320 para menos de US$ 67. Os dois números são da StarkWare, que bancou o concurso.
O número saiu do Quantum-Safe Bitcoin Optimization Challenge, aberto no dia 16 de setembro pela StarkWare ao lado da Yukon Research e da Eigen Labs, com prêmios acima de US$ 20.000. No período, o desafio acumulou 62 envios aproveitados nas duas frentes, o pinning da transação de um lado e a escolha de subconjuntos do outro, com 23 solvers na primeira e 17 na segunda.
Entre os dois patamares, a diferença chega a 79%. Em uma semana, o gasto de GPU caiu para 21% do que era.
A aposta técnica na transação
A aposta técnica muda o pilar de segurança da transação. Em vez da curva elíptica, o script executa o OP_RIPEMD160 contra uma chave pública vinculada ao gasto e lê os 20 bytes resultantes como se fossem uma assinatura, algo que um valor sorteado acerta uma vez a cada 70 trilhões de tentativas. Um par em codificação DER só passa quando os marcadores de byte e os tamanhos dos campos combinam entre si. O script chega a 10.000 bytes e 201 opcodes fora do padrão push, muito além do que o P2SH suporta.
A economia está na conta de processamento externo, sem tocar em regra da rede. Nesta construção, o consenso do bitcoin fica como está.
Os ganhos no benchmark de GPU
Em uma RTX 4090, a trilha de pinning multiplicou por mais de cinco o ritmo da linha de base, dos 146,09 milhões para a casa dos 820 milhões de candidatos verificados a cada segundo. Na outra frente, a escolha de subconjuntos chegou a 623.518.629 candidatos por segundo, contra 62 milhões na linha de base. No placar ao vivo do desafio, o pinning já apontava um recorde de 904.971.814 candidatos por segundo. Como a carga é paralela por natureza, dobrar o número de placas reduz o tempo pela metade.
A referência vem da primeira transação QSB levada à mainnet, no bloco 964.199, que consumiu cerca de 3.100 horas de GPU.
Esse bloco, minerado no dia 26 de agosto de 2026, saiu pela MARA Pool e o envio usou o caminho direto do serviço Slipstream, já que a rede não retransmite esse formato. Pela transação, a taxa ficou em 5.179 satoshis, o equivalente a cerca de US$ 4,36, sem relação com a conta de GPU, feita fora da cadeia antes da transmissão. A MARA não publicou comunicado próprio sobre o feito.
Nenhum recorde entra no placar sem ser reproduzido de novo em uma rotina de referência na CPU, o que impede atalhos. O tempo é medido pelo relógio da própria plataforma.
As premissas da projeção de custo
Os US$ 67 vêm de uma estimativa feita sobre o hardware que a StarkWare declarou como premissa. O painel trabalha com 100 placas RTX 3090 simuladas e divide por esses ganhos o gasto que a StarkWare registrou em agosto, fase por fase. Cada recorde novo mexe nesse número. O teste comparativo não chega a montar transações bitcoin reais, então a melhora ainda precisa ser conferida na implementação de produção.
O alcance fica restrito a um formato de transação, e a rede inteira continua fora dessa blindagem. Moedas com chave pública já exposta na cadeia não ganham proteção retroativa.
Para a StarkWare, proteger o bitcoin inteiro de computadores quânticos continua a exigir um soft fork. O recado de agosto do CEO Eli Ben-Sasson vai na mesma direção, e a decisão, na visão dele, precisa partir da própria rede. O BIP 360, que a empresa assina junto com outros autores, propõe a saída Pay-to-Merkle-Root para o risco de chave que fica exposta por longos períodos, e as duas frentes são tratadas como complementares.
O custo menor não altera a exigência de canal direto com o minerador. A transação QSB não percorre o relay comum da rede.
A referência de custo divulgada em agosto não trazia número fechado, apenas a ordem de centenas de dólares. O que mudou agora foi o patamar, de uns US$ 320 para menos de US$ 67 dentro de uma semana. Por trás disso, os gastos de agosto foram de US$ 15 no pinning, US$ 80 na primeira rodada de digest e US$ 200 na segunda, com US$ 25 ainda sem alocação. Cada ganho de velocidade divide a parcela correspondente.
A queda de 79% torna mais barata a execução do método, que depende de enviar a transação direto a um minerador e continua fora do alcance do usuário comum. O consenso do bitcoin permanece intocado.
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