Análises

Bitget atribui o roubo a falha em ferramenta externa de proteção

Um investigador de segurança afirma ter identificado contas supostamente ligadas à lavagem dos recursos da Bitget pedindo ajuda em chats públicos de Discord e Telegram de serviços de swap, e uma delas também aparecia no exploit da KelpDAO.

A Bitget confirmou na sexta-feira, 25 de setembro, que US$ 387,5 milhões acabaram em carteiras sob domínio do invasor. O número é uma revisão do montante inicial de US$ 351,6 milhões e veio acompanhado da inclusão de Zcash e TRON entre os recursos desviados. A exchange trata o valor como fechamento provisório do caso, e não como balanço definitivo do prejuízo.

A exchange aponta a falha em ferramenta externa de proteção, e o fornecedor segue sem identificação.

O defeito expôs credenciais internas e permitiu ordens de saque fraudulentas que burlaram as salvaguardas de risco da operação. A exchange sustenta que o problema ficou restrito a esse fluxo.

As primeiras transferências ocorreram na quinta-feira, 24 de setembro, quando a plataforma desligou as assinaturas automaticamente. Na sexta-feira, 25, a direção informou a causa raiz do incidente e registrou o caso junto a uma autoridade competente do país.

Em resposta, a Bitget informou que a chave privada descartada foi isolada, que as carteiras frias permaneceram intactas e que a Bitget Wallet não foi atingida. Os saldos dos usuários foram preservados e a exchange prometeu reembolso. É esse isolamento que a exchange usa para explicar por que o prejuízo caiu sobre o tesouro da plataforma, e não sobre a carteira dos clientes.

A falha de terceiro e a defesa da exchange

O alcance do incidente aparece na lista divulgada pela exchange, que aponta 12 carteiras atingidas em 11 blockchains e 13 ativos afetados. A dispersão por redes distintas dificulta o rastreamento em tempo real.

Pela AMLBot, cerca de 4 BTC de uma rodada CoinJoin do Wasabi acabaram ligados à carteira TRON da Bitget, via USDT0 e THORChain. A atribuição é da AMLBot.

A TRM Labs descreve um quadro mais amplo. Oito carteiras com cerca de 10 mil ETH cada e quatro com 20 milhões de XRP permaneceram dormentes até 25 de setembro, quando foram associadas à movimentação. A inércia anterior ajuda a explicar por que parte dos recursos ainda não apareceu em rotas conhecidas, e por que o acompanhamento continua incompleto.

Como rotas de saída, a TRM Labs aponta THORChain, Across, Bridgers, Chainflip e FixedFloat, além de SunSwap para o USDT0 na TRON. Nenhuma é tratada como destino final do dinheiro.

A AMLBot também registrou 13 carteiras dormentes com cerca de 68,3 mil ETH, 83 milhões de XRP e 18,9 mil ZEC. Os montantes são da própria AMLBot e não foram confirmados por outras equipes independentes de análise, o que deixa o quadro em aberto.

Vínculos on-chain ligam essas carteiras a carteiras antes ligadas à lavagem na Bybit e à AFX Bridge, o que alimenta a hipótese do TraderTraitor. A Bitget não confirma a atribuição.

Rastreamento dos recursos e plano de devolução

O calendário de devolução apresentado em 26 de setembro prevê liberações em etapas. O BTC foi liberado na segunda-feira, 28 de setembro, o ETH na terça-feira, 29, o USDT na quarta-feira, 30, e o restante a partir de 02 de outubro. O escalonamento existe para conter o impacto da devolução sobre a operação e para testar se os endereços publicados não voltam a ser explorados.

A exchange publicou os endereços de XRPL e Zcash usados no caso, sem validação independente. Servem como ponto de partida para conferir fluxos na blockchain, mas continuam sendo declaração da empresa.

No dia 28 de setembro, o BGB era negociado a US$ 1,99, em queda de 3,32% em 24 horas. A máxima da janela veio antes do incidente, em 22 de setembro.

O programa de recuperação paga 5% do valor congelado e 5% do que for recuperado, por meio do mecanismo de recompensa da Bybit, com exclusão de ordens judiciais. As trilhas de rastreamento se sustentam, mas ainda não foram auditadas por terceiros.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *