M2 bate recorde global enquanto o Fed quase não amplia a base monetária
Estados Unidos, zona do euro, China e Japão. Somados os maiores blocos econômicos do mundo, os quatro indicadores monetários de referência chegaram a US$ 103,66 trilhões em agosto, o maior valor já registrado. A soma é feita pela MacroMicro, que converte tudo para dólar. O M2, uma das quatro medidas, junta numerário, saldos em conta e modalidades de poupança disponíveis na hora.
O Bitcoin segue em outro patamar, com cotação próxima de US$ 83,5 mil e mais de 33% abaixo do recorde de outubro de 2025.
O anúncio ganhou corpo nas redes, onde o recorde foi lido como autorização para comprar risco em ações, metais preciosos e ativos digitais. Os números que vieram por trás do comunicado desenham outra situação.
O número tem duas velocidades
Em dólares, o agregado cresceu perto de 8% em um ano. Congeladas as conversões cambiais, o mesmo intervalo aparece com avanço de 4,5%, algo perto de um terço do observado em 2021. A distância entre as duas contas vem de um dólar mais fraco.
Os números nacionais seguem o mesmo desenho. O M2 dos Estados Unidos alcançou US$ 23,34 trilhões em agosto, alta de 5,7% em 12 meses, segundo o Fed, números do H.6 fecham em 23.342,8 bilhões. Na China, o M2 avançou 7,5%. Na zona do euro, o M3 cresceu 3,5% na comparação anual, depois de 3,4% em julho, de acordo com o Banco Central Europeu, e no Japão o M2 recuou levemente.

Os agregados não são idênticos entre si. O M3 europeu tem composição mais ampla que o M2 americano, e a metodologia da MacroMicro não coincide exatamente com a dos bancos centrais, o que faz do número um indicador de acompanhamento e não uma conta oficial.
A folha de balanço do Fed, nesse intervalo, andou quase parada. O crédito mantido pelo banco central subiu cerca de US$ 141 bilhões em doze meses, uma fração do avanço do agregado. O M2 americano subiu 5,7% sem novas compras de títulos pelo banco central, porque o avanço veio de depósitos e fundos de mercado monetário.
Para onde foi o dinheiro
A Fidelity Digital Assets Research mediu a relação ao longo de mais de uma década e chegou a um coeficiente de correlação de 0,86 entre o preço do Bitcoin e a variação do M2 global, com um R2 também de 0,86. Em termos práticos, 86% da variação de preço do ativo era explicada pela mudança da oferta monetária no período analisado.
A correlação, porém, mudou de direção. A leitura móvel de 24 meses saiu de patamares positivos e foi para terreno negativo, e a pesquisa indica que desde o fim de 2025 o preço se move contra o que o histórico sugeriria. A Fidelity não descarta a hipótese original, mas aponta dois caminhos possíveis, um deles é a tese ter sido refutada porque o papel de guardado de valor do Bitcoin estaria sob dúvida, e o outro é o M2 ter perdido eficácia como termômetro da liquidez.
Nessa segunda hipótese, o dinheiro que está nos bancos e nos títulos públicos não é o dinheiro que interessa ao mercado de risco. O capital relevante circula nos mercados financeiros, por meio de derivativos, de operações de recompra de títulos e de modalidades de financiamento de mercado que o M2 deixa de fora. E existe um destino que vem absorvendo parcela crescente dos fluxos globais, que são os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
Outros fatores entram na conta. O dólar ganhou cerca de 5% desde a máxima de outubro, o petróleo avançou quase 40% no mesmo intervalo e há sinais de estresse no crédito privado. Um estudo de 2024 do analista Lyn Alden que acompanhou doze meses seguidos encontrou acerto de direção do Bitcoin em 83% dos períodos de doze meses, o melhor resultado entre os ativos testados.
O ouro percorre caminho parecido. A cotação recuou para US$ 4.163, quase 26% abaixo do pico registrado em janeiro.
O Fed aperta enquanto o M2 cresce
Em 16 de setembro o Fed elevou a faixa da taxa básica para 3,75% a 4%, o primeiro aumento desde 2023. O rendimento do título de dez anos marcou 5,225%, o maior nível desde 2007, e quem não paga rendimento passou a pagar.
O desempenho das ações mostra o tamanho da seletividade. O índice S&P 500 fechou a última sexta-feira em 7.743, tocado pelo otimismo com tecnologia, enquanto metais preciosos e ativos digitais seguiam em queda. A liquidez existiu para os dois lados da carteira, mas não chegou igual a todos.
Os ETFs de Bitcoin Americanos seguiram na direção contrária à do preço. Na semana passada somaram compras por sete pregões seguidos, perto de US$ 2,98 bilhões desde 17 de setembro, depois de duas sessões de venda que somaram US$ 746,3 milhões logo após a falha da Clarity Act no Senado. O resultado do ano, que estava 5,69 bilhões de dólares no vermelho em 13 de julho, fechou positivo.
São US$ 58 bilhões em entradas acumuladas nos ETFs de Bitcoin Americanos desde o lançamento, com US$ 108,42 bilhões em ativos sob gestão. O resultado do ano, apurado até quinta-feira, soma US$ 886,8 milhões.
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