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A SEC liberou fundos que prometem três vezes o bitcoin e o ether, e ainda dá para comprar

A SEC aprovou em 2 de outubro a alteração de regra que permite à Cboe BZX listar seis fundos com alavancagem tripla. Dois deles têm bitcoin e ether como referência. Os outros quatro acompanham metais preciosos, o petróleo e o gás natural. Todos vêm da Volatility Shares e prometem o triplo da variação de um pregão, apurada em contratos de futuros. A aprovação não marca data de estreia, e o nome dos fundos diz ETF sem ser exatamente isso.

A operação tem o formato de fundo de commodity, o que tira os produtos de fora da lei que rege os fundos de investimento convencionais. A família de fundos em dobro que a Volatility Shares já comercializa usa a mesma estrutura.

Por que esses seis precisaram de uma regra só deles

Os ETFs de commodity nos Estados Unidos já tinham uma regra geral aprovada em 2025 e ampliada em julho de 2026. Ela permite listar fundos de commodity sem pedir aprovação produto a produto. Uma ressalva da regra deixou os seis de fora da lista automática. Qualquer produto que mire num múltiplo do índice fica de fora, então a Cboe teve de protocolar o pedido à mão em 10 de agosto. Ninguém se manifestou no processo, e a aprovação saiu por autoridade delegada da divisão de mercados, em 2 de outubro.

Os seis fundos carregam ETF no nome e mesmo assim não são ETFs. São participações de trusts de commodity registradas na lei de valores de 1933 e fora da lei de fundos de investimento de 1940. A diferença tem efeito prático, porque a lei de 1940 tem um teto de risco que a de 1933 não tem.

O teto que barrou o outro caminho

Em 2 de dezembro de 2025, a área da SEC que cuida de gestão de investimentos avisou a Direxion que deixaria de analisar pedidos de fundos com exposição acima de 200%. Os arquivos sinalizados pela agência incluíam justamente fundos de bitcoin e ether na proporção tripla. É o motivo de os produtos novos terem nascido em outra estrutura, e não por preferência de arquitetura.

O limite vem da regra 18f-4 do Investment Company Act, que compara o risco de valor de um fundo com o de uma carteira de referência e limita a 2X. A leitura do documento é direta. Um produto 3X não passa pela porta da lei de 1940, e a de 1933 não tem essa trava. O caminho foi trocar a lei de registro do produto para sair do limite.

O que está dentro do fundo

Nenhum dos seis guarda criptoativo. A carteira é composta por contratos de futuros do primeiro e do segundo mês do commodity, com caixa e equivalentes de caixa postos como garantia ou margem. Quando o contrato do mês seguinte é negociado acima do que está vencendo, a troca custa dinheiro, e esse custo não aparece em nenhum gráfico de preço à vista.

É exatamente esse detalhe que separa o rótulo da entrega. Um fundo que compra bitcoin segue o preço do bitcoin. Um fundo de futuros entrega o movimento do futuro, e o futuro carrega a curva, a taxa e a rolagem. A diferença é pequena em um mês e enorme em um ano.

O produto de dobro que já existe

A Volatility Shares vende há mais de três anos dois fundos de exposição dupla em bitcoin e ether, os códigos BITX e ETHU. O histórico deles é o dado mais duro do anúncio. O BITX perdeu 78,93% em um ano, encerrando agosto, contra um bitcoin que subiu no mesmo período. Para chegar do que a carteira de 2X deveria ter entregado ao valor que o fundo entregou, sobrou um custo adicional estimado em 12,02% ao ano até 30 de junho de 2026, e perto de 19% ao ano desde o lançamento em junho de 2023.

A parte que sobra não é só rolagem. Também inclui os juros gerados pelo colateral em títulos do Tesouro, que ficam com o próprio fundo, além do erro de rastreamento, então o número é uma leitura, não uma medição direta da curva. Mesmo com essa ressalva, é o custo do mecanismo aparecendo na conta.

O que o número no nome não entrega

Alavancagem diária não é alavancagem sobre o período. Um fundo que entrega três vezes o movimento de um dia reequilibra a exposição a cada fechamento, e o resultado de vários dias depende da ordem em que os dias caíram e subiram. Movimento de lado a lado custa dinheiro para quem triplica, e o custo cresce conforme a oscilação. É por isso que um produto assim pode perder dinheiro com o preço do ativo parado.

O anúncio não traz argumento contra o instrumento. Traz um produto cujo número de alavancagem está no nome e cuja matemática fica fora do nome. Quem comprar vai pagar taxa, vai pagar rolagem e vai pagar a diferença entre a promessa diária e a intenção de longo prazo. A ordem também lembra que corretoras que recomendam esses fundos continuam presas às regras de venda e de margem da FINRA, o que dá ao consumidor o caminho para reclamar se a recomendação não vier com a ressalva do risco.

Eric Balchunas, analista de fundos de índice da Bloomberg, resumiu o espírito do negócio em uma frase na noite da aprovação. Parecia grande vitória para a Volatility Shares. É grande, e o número do produto anterior diz o que esperar da entrega de longo prazo.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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