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O Zcash pagou para ter uma cadeira própria no Congresso norte-americano

O Zcash registrou pela primeira vez um representante próprio em Washington. O grupo Pretty Good Policy for Zcash, PGPZ, protocolou em 1º de outubro um cadastro de lobby com um único nome, Divij Pandya, diretor executivo da organização. O registro lista como pauta o CLARITY Act e duas propostas de imposto sobre criptoativos.

A PGPZ é uma organização de interesse público no formato 501(c)(4) norte-americano, estrutura que permite financiar campanha política. O primeiro ano de operação custa US$ 750 mil, valor aprovado pelo Zcash Community Grants em agosto. Esse fundo financia projetos do ecossistema, e a liberação é o que decide se a comunidade considera representação política direta cara que vale.

De onde vem a marca

A PGPZ nasceu em junho deste ano. Ela dá continuidade à iniciativa que a Electric Coin Company criou em 2022, conhecida como Pretty Good Policy for Crypto. A iniciativa fazia rodadas de política na capital e organizou uma audiência no Congresso sobre criptografia em 2023.

O movimento tem relação com a saída da empresa. A Electric Coin Company lançou o protocolo em 2016 e encerrou as operações em 2026. Todo o time passou para o Zcash Open Development Lab, organização independente que cuida do protocolo e do produto.

O ZODL não sai do ecossistema. Segue no núcleo do protocolo, infraestrutura e carteiras, e passa a sustentar a independência da PGPZ. O desmembramento é o que permite à nova organização falar em nome do Zcash sem estar presa ao ritmo de uma empresa de tecnologia.

O que o Senado já recusou

Com o Congresso parado, a Commodity Futures Trading Commission mandou em 17 de setembro uma proposta de regra para a Casa Branca. A agência, por lei, não pode criar registro nem licenciamento de corretoras e mercados à vista, porque nesse mercado a competência dela se limita a combate a fraude e a manipulação. A proposta de ativos cripto da SEC, lançada em 18 de agosto, prevê isenção de captação em duas faixas, com teto de US$ 75 milhões na segunda.

Uma voz dedicada ao Zcash nessas conversas tem efeito prático. O projeto de mercado define como criptoativos são classificados e supervisionados, e a proteção de quem escreve código continua na pauta. Quem defende uma moeda de privacidade precisa de alguém falando na hora em que a regra é escrita, não depois.

O tamanho da aposta

O Zcash vale US$ 1.334 e ocupa a décima posição em capitalização de mercado, com US$ 22,63 bilhões. No ano, avançou 689%. Em 27 de setembro tocou US$ 1.653,12 e desde então recuou 15% em sete dias, uma correção de quem chegou rápido demais.

A máxima histórica continua sendo de 28 de outubro de 2016, quando a moeda valia US$ 3.191,93. O preço não volta ao topo, e o Zcash não precisa do topo para chegar onde quer. O que o grupo defende em Washington se decide na lei, não na cotação.

Quem paga US$ 750 mil por uma cadeira em Washington está comprando voz na mesa onde a lei de cripto dos Estados Unidos vai ser decidida. É a primeira vez que o Zcash paga por uma cadeira com dinheiro do próprio ecossistema, e a primeira vez que a moeda de privacidade tem alguém contratado só para isso.

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