Max Keiser aposta em bitcoin a US$ 400 mil com o colapso da dívida pública
Max Keiser, apresentador que assessora o governo de El Salvador na política de bitcoin, disse nesta semana que a moeda vai ser a grande vencedora do colapso da dívida pública no mundo e que é esse caminho que a leva a US$ 400 mil. Ele citou Paul Tudor Jones, Stan Druckenmiller e Michael Saylor como gente que fala abertamente de uma ofensiva especulativa contra os bancos centrais, tomando emprestado a juro baixo para comprar bitcoin e deixando as autoridades para trás.
A parte do roteiro que envolve a Strategy, empresa de Saylor, existe de fato. A companhia levanta dinheiro no mercado desde 2020, entre títulos conversíveis e ações preferenciais, e usa o caixa para comprar bitcoin. Chegou a 843.738 moedas em maio e convive com bilhões de dólares em dívida. Tudor Jones disse em abril deste ano que o bitcoin é a melhor proteção contra a inflação, acima do ouro, pela oferta fixa. Druckenmiller já declarou publicamente que não tem bitcoin, depois de ter vendido o que tinha.
As falas estão em um vídeo que circula desde a quinta-feira. Keiser não deu prazo para o que descreve nem disse qual nível de juros mudaria a tese dele.
O mercado de títulos vive mesmo um esticão. O juro do papel de dez anos dos Estados Unidos bateu 5,34% em 1º de outubro, o maior desde 2002, e o de 30 anos chegou a 5,69%, o maior em 24 anos. O Reino Unido viu o juro de 30 anos passar de 6%, algo que não acontecia desde 1998, e a França marcou 4,95% no papel de dez anos. O Federal Reserve subiu os juros em setembro, a primeira alta desde 2023, e o mercado trabalha com pelo menos mais três aumentos até meados de 2027. O dez anos fechou a 5,22% no dia 8, depois de um trimestre que foi o pior para os títulos americanos desde 1994.
O que não aparece é a onda de calotes que ele prevê. A diferença entre o juro cobrado de empresas de alto risco e o do papel do Tesouro está em 306 pontos-base, abaixo da média histórica, e a dos países emergentes em 179 pontos. A OCDE aponta queda nas taxas de inadimplência no mundo e lembra que 65% da dívida que vence entre 2026 e 2028 paga juros de 4% ou menos.
O risco fiscal não é invenção dele. O Fundo Monetário Internacional piorou em abril a avaliação da dívida pública global, citando emissão pesada, inflação e a disputa por capital criada pela infraestrutura de inteligência artificial.
A conta dos US$ 400 mil
A meta tem tamanho definido. Com cerca de 20,1 milhões de bitcoins em circulação, US$ 400 mil por moeda dão um valor de mercado de 8 trilhões de dólares, quase cinco vezes o atual, de 1,67 trilhão de dólares.
A cifra não é nova nas falas dele, que já citavam US$ 400 mil em ciclos anteriores. O que muda agora é o motivo que ele usa como justificativa, o da dívida pública como gatilho do movimento.
A tensão no mercado de títulos é verificável nos dados desta semana, e o mercado trabalha com mais altas de juros até meados de 2027, o que sustenta parte da tese. O calote em série e o bitcoin a cinco vezes o preço atual continuam sendo previsão de quem fala.
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