Cinco empresas entram na lista de exclusão dos índices da MSCI
A MSCI aprovou nesta quinta-feira uma regra que classifica como não operacionais as empresas de balanço formado sobretudo por ativos guardados. Elas ficam inelegíveis para os índices globais da MSCI. A Strategy, que guarda 848.250 bitcoins, aparece na lista de companhias que podem ser excluídas, ao lado da japonesa Metaplanet e da britânica Yellow Cake, dona de reservas de urânio. A regra passa a valer no fechamento de 30 de novembro, e a lista final sai em 11 de novembro, junto com o anúncio da revisão dos índices.
A decisão encerra quase um ano de embate. Em janeiro, a MSCI já havia desistido de excluir apenas as empresas que usam moedas digitais como tesouraria, depois da reação delas.
Quem replica um índice tem de vender o papel que sai dele, sem considerar a avaliação que faz da empresa, e essa obrigação dá peso à decisão. O JPMorgan estimou, em novembro de 2025, uma saída de US$ 2,8 bilhões ligada só aos índices da MSCI, com outros US$ 8,8 bilhões em risco se os demais provedores de índices seguissem o mesmo caminho. As ações da Strategy caíram 5,87% na quarta-feira, a US$ 143,24, na véspera do anúncio, subiram 5,62% nesta quinta, a US$ 151,29, e recuavam 1,44% nas negociações após o fechamento, quando a decisão saiu.
Como a MSCI separa quem opera
A regra tem duas etapas. Uma empresa passa direto se os ativos ligados à operação somam mais de metade do total. Quem não passa é medido por cinco números do balanço, entre eles o peso da operação no ativo, as despesas diante do tamanho da empresa, a geração de caixa e a dependência de capital de fora. Falhar em quatro dos cinco deixa a companhia fora dos índices.
Quem já está no índice tem folga. A Strategy só sai se falhar nos testes em dois balanços anuais seguidos. Empresas de fora precisam falhar em um só.
O que a Strategy diz
A Strategy contesta a regra desde a primeira versão, apresentada há um ano. Em dezembro, Michael Saylor e o presidente-executivo, Phong Le, enviaram objeção à MSCI e afirmaram que a companhia opera, com negócio de software, gestão ativa do caixa e crédito garantido por bitcoin. Em agosto, chamaram o texto novo de discriminatório e disseram que a MSCI ficou na contramão de reguladores, do mercado e dos próprios clientes. Em carta de setembro, a Strategy escreveu que a exclusão não alteraria o negócio e que a regra custaria à MSCI a confiança de quem segue os seus índices.
Urânio e ether na mesma lista
A lista mistura setores. Além da Strategy e da Metaplanet, a MSCI marca para exclusão a Yellow Cake, a islandesa Skel Fjarfestingafelag e a americana Upexi. Outras 17 empresas ficam em observação e só saem se falharem de novo no ano que vem, entre elas a SharpLink, de tesouraria de ether. Na mesma revisão, a MSCI encerra as travas provisórias que mantinha desde outubro do ano passado para as empresas com metade ou mais dos ativos em moedas digitais.
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