Bitcoin chega à decisão do Fed com volatilidade no menor nível em quase dois anos
O bitcoin começou a segunda-feira cotado a US$ 82,1 mil, com ganho de 0,7% em 24 horas. A volatilidade que as opções embutem para os próximos 30 dias caiu ao menor nível em quase dois anos, mesmo depois de uma semana de inflação acima do esperado nos Estados Unidos e de uma queda forte nas bolsas. O Federal Reserve marca a reunião de outubro para o dia 28, e o vencimento de US$ 12,2 bilhões na Deribit, a maior plataforma de opções de cripto, cai dois dias depois.
O índice DVOL, calculado pela Deribit a partir dos preços das opções, fechou em 37,4. Ele mede o quanto o mercado espera de oscilação nos próximos 30 dias, e apenas 12% dos fechamentos diários desde o começo de 2024 ficaram abaixo desse nível. A leitura mais baixa desse intervalo foi 33,6, em 17 de setembro.
A calma chamou atenção porque a semana foi o oposto disso. A inflação ao consumidor veio acima do previsto na quarta-feira, e um dia depois os preços ao produtor subiram 1,3% em setembro, o maior avanço mensal desde março de 2022. Na sexta, o VIX, índice que mede o medo na bolsa americana, saltou 21,5%, a maior alta diária desde 5 de junho. O DVOL caiu no mesmo dia.
A reunião do Fed custa dois pontos
O prêmio de uma opção embute a oscilação esperada até o vencimento. Comparando vencimentos, dá para ver quanto o mercado cobra por um evento específico. Nos contratos que vencem nesta sexta-feira, a expectativa está em 31% ao ano. No vencimento de 30 de outubro, o primeiro depois da reunião, sobe para 33%.
O evento, neste caso, pesa pouco na conta do mercado. Na quinta-feira, o levantamento da CME Group, que acompanha o mercado futuro de juros, mostrava 30% de chance de alta na reunião de outubro. Com esse número, o cenário central segue sendo a manutenção da taxa.
Há também um efeito mecânico. Os operadores que carregam essas posições se protegem comprando bitcoin nas quedas e vendendo nas altas, o que reduz o tamanho dos movimentos. A Greeks.live, que acompanha o mercado de derivativos, apontou essa proteção concentrada perto de US$ 90 mil, com apostas de queda ganhando espaço em US$ 80 mil.
A faixa estreita não é novidade. O bitcoin já vinha preso perto dos US$ 80 mil antes da semana de inflação, e a QCP, que opera derivativos de cripto, descreve o intervalo entre US$ 80 mil e US$ 88 mil. Na avaliação dos analistas, uma ruptura sustentada para fora dessa faixa poderia mexer com o preço à vista e com a própria volatilidade.
Metade do vencimento aposta em US$ 90 mil ou mais
Na Deribit, 148,8 mil bitcoins em contratos vencem em 30 de outubro, o equivalente a US$ 12,2 bilhões pelo preço desta segunda-feira. Isso corresponde a 38% do que segue aberto na plataforma. Dois terços são calls, contratos que ganham quando o preço sobe.
As maiores posições ficam longe do preço atual. São 25,7 mil bitcoins em US$ 95 mil, 15,3 mil em US$ 90 mil e 14,3 mil em US$ 100 mil. Somadas, as apostas de US$ 90 mil ou mais reúnem 72 mil bitcoins, quase metade do vencimento, a cerca de 10% acima de onde o bitcoin está. Para essas posições virarem dinheiro até 30 de outubro, o bitcoin precisaria de um movimento maior do que o próprio mercado de opções projeta.
Do outro lado, a proteção contra queda é menor e está mais abaixo. São 8 mil bitcoins em US$ 70 mil e 4,2 mil em US$ 75 mil. Quem comprou essa proteção apostou em um recuo de 9% a 15% até o fim do mês.
O histórico favorece quem vendeu. Um levantamento do The Daily Digits, colaborador da CryptoQuant, comparou o que as opções cobraram com o que o bitcoin entregou nos últimos três anos e meio. Em 73,6% dos dias, o movimento ficou abaixo do preço pago. A oscilação realizada no último mês também ficou abaixo do DVOL.
O que pode tirar o bitcoin da faixa
Luca Invernizzi, que cuida de derivativos na Laser Digital, braço de cripto da Nomura, vê a alavancagem dentro do bitcoin menor e boa parte do excesso especulativo migrada para as altcoins. Para ele, a passagem dos US$ 90 mil, se vier com folga, é o gatilho para uma nova rodada de recompra de posições vendidas.
Ryan Rasmussen, que comanda a pesquisa da Bitwise, espera oscilação maior na semana da reunião do Fed e também nas eleições legislativas de novembro.
Por enquanto, o preço faz o que as opções mandam. Nesta segunda-feira, o bitcoin oscilou entre US$ 81,6 mil e US$ 83 mil, uma variação de 1,7%. Se a oscilação realizada subir acima do que os contratos cobram antes de 30 de outubro, quem vendeu essas opções terá cobrado barato pelo risco.
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