Sem cartão novo, o saldo em cripto paga em 175 milhões de lojas
A Mesh e a Visa anunciaram nesta segunda-feira uma parceria que permite gastar o saldo de bitcoin ou de stablecoin guardado em um aplicativo em qualquer loja que aceite a bandeira. O cliente aproxima o celular da maquininha ou fecha a compra no site, e o valor sai da carteira que ele já usa, sem transferência para a conta bancária e sem pedir um cartão adicional.
A loja não vê bitcoin. O lojista recebe um pagamento comum da Visa, pelo valor da compra, com a liquidação de sempre, e a conversão do saldo acontece do outro lado, dentro do aplicativo.
A mecânica fica toda por dentro do aplicativo. No momento do pagamento, o aplicativo cria uma credencial da Visa para aquela compra e o cliente paga como pagaria com qualquer cartão. A Mesh define de qual saldo sai o dinheiro, seja ele bitcoin, stablecoin ou moeda comum, e cuida da conversão entre eles antes de a operação chegar à rede.
A plataforma que hospeda a carteira não precisa montar um programa de cartões. Ela se conecta à Mesh e passa a oferecer o pagamento, enquanto a Mesh responde pelo cadastro do usuário, pela verificação de identidade e pela liquidação.
O começo ainda não tem data. A lista de carteiras participantes, os aparelhos compatíveis e a estreia serão divulgados quando o cronograma de implementação for fechado, segundo o comunicado das duas empresas.
O tamanho do alcance
A rede da Visa soma mais de 175 milhões de pontos de venda, espalhados por mais de 200 países e territórios. No ano fiscal encerrado em setembro de 2025, o volume que passou por ela foi de US$ 14,2 trilhões.
Esse alcance dá o peso do anúncio. O comunicado cita 774 milhões de pessoas com cripto no mundo em junho deste ano, com base em pesquisa de mercado, e observa que quase todo esse valor ficava fora do consumo. Para gastar, o dono do saldo precisava vender e sacar para um banco, esperando a compensação, ou contratar um cartão preso a uma única plataforma.
A parceria junta a base de usuários das carteiras à malha de aceitação da bandeira.
Quem é a Mesh
A Mesh foi fundada em 2020, em São Francisco, e opera uma camada que liga carteiras, exchanges e plataformas financeiras. Mais de 200 empresas usam a rede. O comunicado cita como parceiras a Kalshi e a Félix Pago. A Tools for Humanity, a Majority e a KAST aparecem na mesma lista.
A companhia captou mais de US$ 200 milhões desde a fundação. Em janeiro, fechou uma rodada de US$ 75 milhões liderada pela Dragonfly Capital, que a avaliou em US$ 1 bilhão, com PayPal Ventures, Paradigm e SBI Investment entre os investidores.
Bam Azizi, executivo-chefe e cofundador, afirma que o obstáculo do setor está no último trecho entre a carteira e o caixa. A Mesh faz essa ligação, diz ele, e o pagamento acontece na hora, sem que o usuário mova nada e sem que o lojista altere o sistema. Na avaliação dele, o dinheiro deveria ser gastável no lugar onde já está guardado.
Rubail Birwadker, que comanda o crescimento global da Visa, diz que o consumidor quer usar o próprio dinheiro onde e como preferir, e que a parceria amplia a ligação entre saldos em ativos digitais e a rede de pagamentos que lojas e clientes já usam.
A semana das bandeiras
A ofensiva das bandeiras sobre a stablecoin veio na mesma semana. Na quinta-feira passada, a Visa começou a aceitar USDC como moeda de financiamento no Visa Direct, com cobertura de mais de 180 países. No mesmo dia, a Mastercard apresentou com a BVNK uma plataforma em que a moeda tradicional e a stablecoin dividem a mesma conta.
A Mesh afirma alcançar centenas de milhões de usuários pelos parceiros que já atende, sem informar quantas carteiras devem aderir no primeiro ano.
Um consumidor com saldo em três carteiras diferentes poderá pagar com cada uma delas em qualquer loja da rede, sem um cartão para cada e sem mover o dinheiro de lugar antes de comprar.
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