Segurança

A Liquid reabriu as trocas e deve 602 BTC para fechar o lastro

Seis semanas depois de perder 4.000 BTC para um invasor, a Liquid Network voltou a permitir que clientes convertam L-BTC em bitcoin. A federação liberou nesta terça-feira as trocas entre os dois lados da sidechain, com intermediação de provedores, enquanto os resgates processados pela própria federação seguem suspensos desde 11 de setembro. O comunicado trata a etapa como a reta final da recuperação.

O tamanho do que falta está em dois números públicos. A rede tem 4.234,76 L-BTC em circulação. As carteiras da federação, que deveriam guardar bitcoin na mesma quantidade, somam 3.632,23 BTC. A diferença de 602,5 BTC, perto de US$ 49,8 milhões na cotação desta terça, é o que o invasor não devolveu e o que separa a promessa de paridade da contabilidade.

A saída reabriu pelo caixa de um membro

A SideSwap, membro da federação autorizado a pedir resgates, voltou a aceitar conversões no mesmo dia. A taxa segue em 0,1% e a proporção, de um para um. A mudança está atrás do balcão. A federação não libera pagamentos, então cada bitcoin que chega ao cliente tem origem no caixa da própria SideSwap. O L-BTC recebido em contrapartida é convertido em lotes dentro do arranjo descrito pelo comunicado.

As trocas também voltaram na Aqua, carteira que conecta a Liquid à rede Lightning. Quem confirmou a volta dos dois serviços nas redes sociais foi Adam Back, que comanda a Blockstream. A federação afirma que as trocas não têm limite de volume imposto pelo protocolo. O estoque de bitcoin de um provedor é finito, e esse estoque define quanto sai por essa porta em um dia.

O que falta para a federação destravar os resgates

O caminho oficial tem duas etapas. A rede precisa primeiro voltar ao lastro integral, com 1 BTC guardado para cada L-BTC emitido. Só então a federação reativa os resgates, de forma controlada e restrita aos membros que detêm as chaves que autorizam cada pagamento.

O software que administra as reservas já foi instalado em um número suficiente desses operadores, segundo o comunicado. Salvaguardas independentes continuam no lugar para impedir resgates prematuros ou não autorizados, e a federação promete deixar as reservas visíveis em exploradores de bloco. Nenhuma das etapas tem data.

O comunicado não diz como o buraco será fechado. A avaliação técnica que a Blockstream publicou em 23 de setembro trata os 602 BTC como objeto de um esforço de recuperação em andamento, sem mencionar acordo com o invasor. O grupo devolveu 3.400 BTC em 7 de setembro, exigiu 10% do total como recompensa e manteve 15% do total, como o LaboNews mostrou na época do impasse.

Dois preços para o mesmo ativo

Para quem tem L-BTC, o efeito prático é uma saída que voltou a funcionar, agora com outra contraparte. Na troca, quem paga é o provedor. A federação fica fora da operação, e o cliente passa a depender da liquidez e da política daquele membro para concluir a conversão.

Existe um segundo preço. Nos livros de oferta da SideSwap, o L-BTC contra o dólar digital não tem cotação fixa, sai do encontro entre as ordens de compra e venda, e a própria corretora diz não fixar nem atrelar esse preço. Quem converte pelo serviço de resgate recebe a paridade menos a taxa. Quem vende no mercado recebe o que o livro mostrar.

A distância entre os dois números segue aberta desde setembro. Cada L-BTC emitido tem hoje 0,858 BTC guardado atrás de si, e a diferença só desaparece de duas maneiras. A federação repõe os 602 BTC ou recompra e destrói a mesma quantidade de L-BTC. Nenhuma das duas foi anunciada.

Quando os resgates da federação voltarem, os dois números do explorador precisam estar iguais. Hoje eles diferem em 602,5 BTC, e nenhum comunicado publicado desde o ataque disse de onde virá essa diferença.

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