Segurança

Hackers do Liquid exigem 10% de recompensa e ameaçam holders com perda de 15%

O grupo que drenou 4.000 BTC da sidechain Liquid na semana passada elevou o tom da disputa nesta quarta-feira. Em mensagem registrada no bloco 966199 da blockchain, os responsáveis pela exploração exigiram um bug bounty de 10% em dinheiro próprio da Blockstream e alertaram que a recusa pode causar uma perda de 15% aos detentores de L-BTC.

Como noticiado anteriormente pelo LaboNews, os atacantes exploraram uma falha de verificação de range-proof no software Elements para criar cerca de 4.019 L-BTC sem lastro, convertidos em bitcoin por meio do serviço de peg-out da SideSwap.

A operação drenou quase a totalidade das reservas da federação, que caíram de 4.200 BTC para 197 BTC.

Na segunda-feira, o grupo devolveu 3.400 BTC após a empresa aplicar uma correção nos nós da ponte. Os 598,5 BTC restantes, avaliados em aproximadamente US$ 47 milhões, permaneceram sob controle dos hackers.

A exigência de 10% e a ameaça de 15%

A mensagem mais recente introduziu uma nova dimensão ao conflito. O grupo exigiu que a Blockstream pagasse 10% do montante retirado como bug bounty, usando recursos próprios, e alertou que a recusa causaria uma perda de 15% a todos os detentores de L-BTC.

Os hackers acusaram a empresa de destinar apenas US$ 1,5 milhão à segurança, valor que consideraram negligência flagrante.

Classificaram a postura da Blockstream como “delusional, greedy, and arrogant” e argumentaram que companhias que participam de programas de bug bounty não podem garantir segurança completa.

A comunicação seguiu dentro da própria blockchain, combinando mensagens em OP_RETURN com texto criptografado por PGP. O grupo sinalizou que pretende publicar a chave privada usada para criptografar as conversas mantidas durante a negociação.

A divulgação exporia o conteúdo das tratativas e revelaria detalhes sobre a vulnerabilidade explorada.

A falha técnica no coração do problema

A vulnerabilidade residia em um componente do Elements chamado CachingRangeProofChecker, responsável por verificar se os valores ocultos nas transações confidenciais estão dentro de um intervalo válido. O cache de verificação omitia duas das quatro entradas necessárias na chave de indexação, permitindo que tokens inválidos passassem pela checagem sem serem detectados.

A falha não comprometeu nenhuma chave privada da federação, que opera sob um esquema multisig de 11 assinaturas entre 15 membros. Os signatários autorizaram a operação porque, do ponto de vista do software que executavam, a transação parecia legítima. O SideSwap confirmou que sua chave de autorização (PAK) não foi comprometida. Seu software processou corretamente o que parecia ser L-BTC legítimo. A falha estava na criação irregular dos tokens, não na conversão em si.

A classificação como white hats em xeque

A conduta do grupo tem sido questionada. O CTO da Ledger, Charles Guillemet, criticou a sequência de retirar os fundos antes de qualquer diálogo e manter uma parcela sob ameaça, o que contradiz o rótulo de white hat.

A suspensão da rede continua sem data confirmada para retomada. As exchanges permanecem com depósitos e saques de L-BTC congelados, e os nós da ponte seguem desabilitados.

O caso reacendeu o debate sobre a arquitetura de sidechains federadas. A confiança depositada em um grupo restrito de entidades para proteger a ponte entre a mainchain e a lateral mostrou sua fragilidade quando o software que essas entidades operam contém uma falha crítica. O Elements é um fork de código aberto do Bitcoin Core e serve de base não apenas à Liquid, mas a outros projetos. A descoberta de uma falha de verificação de range-proof no código levanta dúvidas sobre se implementações derivadas podem conter vulnerabilidades semelhantes.

O desfecho da negociação permanece incerto. Os 598,5 BTC seguem retidos, a Blockstream não respondeu publicamente à exigência de 10% e a ameaça de divulgação das conversas privadas mantém a pressão sobre a empresa.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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