4,8% de todo Ethereum nas mãos de uma única empresa e ela quer mais 0,2%
A Bitmine Immersion Technologies, presidida por Tom Lee, comprou mais 9.946 Ethereum na última semana e elevou suas reservas para 5.787.414 ETH. O montante equivale a 4,8% de todo o Ethereum em circulação.
São mais de US$ 11,2 bilhões em ETH guardados no balanço, um número que coloca a Bitmine como a maior tesouraria corporativa de ETH do mundo.
O ritmo desacelerou. Em junho, a empresa comprou mais de 52.000 ETH em uma única semana. A compra atual de 9.946 ETH é bem menor, mas a Bitmine não interrompeu uma semana sequer desde que lançou a estratégia em 30 de junho de 2025.
A meta é chegar a 5% do supply total do Ethereum. Faltam menos de 250.000 ETH para isso.
Se mantiver o ritmo atual de aproximadamente 10.000 ETH por semana, a marca pode ser alcançada em cerca de seis meses.
52 mil para 9.946, o ritmo que mudou
O preço médio de compra da Bitmine é quase o dobro do valor atual do Ethereum. A empresa pagou cerca de US$ 3.900 por token, contra os US$ 1.950 do mercado. Isso significa que a maior parte do estoque está no vermelho, com prejuízo não realizado estimado em bilhões.
A diretoria seguiu comprando mesmo assim. A convicção de Tom Lee no potencial do Ethereum é o motor por trás dessa estratégia agressiva de acumulação.
Staking como máquina de receita enquanto o preço não recupera
Também encontrou uma forma de gerar receita enquanto espera a recuperação do preço. O MAVAN, plataforma institucional de staking da Bitmine, hoje valida 4,9 milhões de ETH, equivalente a 85% de todo o tesouro. Lançada em março de 2026, tornou-se a maior rede de validadores de Ethereum do mundo.
O rendimento semanal de 2,67% anualizado projeta uma receita de US$ 254 milhões por ano com o staking atual. Se todo o estoque for colocado para render, o número sobe para US$ 300 milhões.
É uma receita que nenhuma outra empresa de tesouraria crypto tem. Enquanto a Strategy de Michael Saylor depende exclusivamente da valorização do Bitcoin, a Bitmine construiu uma máquina de gerar yield sobre as suas próprias holdings de ETH.
O número de validadores que querem sair do staking caiu para praticamente zero na rede, e a Bitmine levou essa lógica ao extremo com 85% do seu estoque travado em validação.
O mercado reagiu ao movimento. O Ethereum subiu 24% no último mês, contra 8% do Bitcoin. A relação ETH/BTC atingiu a máxima de três meses, e Tom Lee citou o indicador como sinal de fortalecimento do mercado crypto.
Segundo Lee, US$ 2.000 e US$ 2.500 são os principais obstáculos técnicos para o ativo no curto prazo. O Ethereum já testou os US$ 2.000 nesta semana e bateu a máxima de dois meses, com ganhos expressivos em um momento em que o mercado macro permanece incerto com a proximidade da reunião do Fed.
Paralelamente, a Bitmine intensificou a recompra de ações. Foram 6,1 milhões de papéis recomprados na última semana dentro de um programa de US$ 4 bilhões autorizado pelo conselho, em um sinal de confiança na valorização da empresa.
O balanço inclui 207 Bitcoin, US$ 180 milhões na Beast Industries, US$ 58 milhões na Eightco Holdings e US$ 385 milhões em caixa, que totalizam US$ 11,5 bilhões em ativos líquidos.
É um portfólio diversificado para uma empresa que começou minerando Bitcoin e migrou para o Ethereum sob a liderança de Tom Lee. A transformação foi completa, com a empresa deixando a mineração, vendendo equipamentos e redirecionando todo o capital para acumular ETH.
Com custo médio de US$ 3.900, a Bitmine precisa que o Ethereum dobre de valor só para empatar. Até lá, o yield do staking gera centenas de milhões de dólares em receita recorrente por ano, que ajudam a pagar a conta enquanto o mercado não confirma a tese de Lee.
Por enquanto, a Bitmine segue comprando, com 4,8% de todo o Ethereum na mão e o mercado inteiro observando cada movimento da empresa que mais aposta no ETH entre todas as companhias abertas.
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