Fidelity aponta outubro como possível fundo do Bitcoin
A Fidelity Digital Assets publicou seu relatório trimestral de sinais com uma mensagem direta para o mercado. O Yardstick, métrica proprietária que compara a capitalização do Bitcoin com o hashrate da rede via Z-score, está pairando perto de mínimas históricas.
Valores abaixo de -1 desvio padrão indicam subvalorização. O Yardstick passou 83% dos últimos 92 dias nessa zona.
O Bitcoin está barato em relação ao custo de energia que protege a rede. O Yardstick mede isso ao dividir a capitalização pelo hashrate e normalizar em Z-score.
Historicamente, a faixa de subvalorização do Yardstick coincidiu com as fases de acumulação mais intensas do Bitcoin. Os fundos relativos duraram quase 300 dias em ciclos anteriores, marcando o momento em que investidores pacientes começaram a comprar.
O bear market atual está com 203 dias, o que para a Fidelity coloca outubro de 2026 como uma janela relevante para investidores focados em dinâmica de ciclo.
Os mineradores reforçam a tese. Apesar da queda do preço, o hashrate total recuou apenas 22% do pico, um sinal de resiliência que o relatório destaca como evidência de maturidade do setor. A indústria de mineração aprendeu a gerenciar custos de energia com mais eficiência.
Yardstick, LTH/STH e o alinhamento raro de indicadores
Dados da Alphractal complementam o quadro. A relação entre o realized cap de long-term holders e short-term holders atingiu 3.9, se aproximando do nível de 4 que precedeu os fundos de ciclo anteriores.
A métrica mostra capital realizado cada vez mais concentrado em mãos de investidores de convicção, enquanto a participação especulativa de curto prazo segue fraca. O fundador da Alphractal, Joao Wedson, disse que o Bitcoin está se aproximando de uma zona historicamente importante.
O cenário indica uma fase avançada de acumulação. Não garante que o piso já está formado, mas sinaliza que o mercado se aproxima de uma zona historicamente associada a fundos de ciclo.
Swissblock traz o contraponto. A fase de reconstrução do Bitcoin encontrou outro obstáculo, com o momentum saindo de leituras extremas mas estagnando.
A participação compradora não se expandiu o suficiente para levar o preço adiante, segundo a análise publicada na quarta-feira.
O Bitcoin recuou 5,5% da máxima de cinco semanas de US$ 67 mil em 21 de julho, caindo para US$ 63 mil. Desde então, testou US$ 64 mil três vezes sem conseguir romper a resistência, um padrão que sugere falta de força compradora no curto prazo.
Ainda assim, o recuo atual de 50% abaixo do recorde histórico de US$ 126 mil alcançado em outubro de 2025 é considerado raso comparado a bear markets anteriores. A própria Fidelity reconhece que a volatilidade menor deste ciclo e a maturidade da indústria contribuem para quedas menos agressivas.
O que falta para o fundo se confirmar é um catalisador macro. O Fed não sinalizou corte de juros, a inflação segue acima da meta em 3,4% e os Treasuries de 30 anos acima de 5% continuam competitivos com ativos de risco como o Bitcoin.
Mas a convergência de indicadores é rara. Yardstick no piso histórico, relação LTH/STH se aproximando de 4, tempo de bear market alinhado com ciclos passados e hashrate mostrando resiliência.
A Fidelity não crava a data exata, mas os dados que ela mesma apresenta montam um argumento consistente. Outubro pode ser o ponto de inflexão esperado, e o mercado que ignora a história geralmente paga caro para aprender de novo.
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