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Bitcoin fecha julho com alta de 9,6% e menor volume spot em três anos

O Bitcoin está a caminho de fechar julho com o primeiro ganho mensal desde abril, mas os dados de atividade mostram um mercado que subiu sem convicção. O preço se recuperou, o volume não.

O mês começou com o BTC na faixa dos US$ 58 mil, o piso de julho. De lá para cá, o ativo subiu quase 10% até os US$ 64.817 atuais, segundo dados da CoinGecko verificados ao vivo. Mas o mercado que empurrou o preço para cima é o mesmo que parou de negociar.

O volume spot diário de Bitcoin ficou na média de US$ 2,2 bilhões em julho, de acordo com a K33 Research. É o menor desde novembro de 2023, um período de quase três anos atrás.

O analista Darkfost acompanhou o colapso exchange por exchange. Na Binance, o volume spot ficou em US$ 35 bilhões no mês contra US$ 246 bilhões em novembro de 2024. Uma queda de 85%.

Na Bybit a retração foi de 67%, na OKX de 67% e na Coinbase de 61%. Não há uma única grande corretora que tenha escapado.

A Glassnode confirma numa métrica diferente, medida em moedas em vez de dólares. O volume spot em BTC está no menor patamar desde 2019.

Volume em colapso, sentimento congelado

O dado mais relevante é o contexto imediato. Junho foi o pior mês do Bitcoin desde junho de 2022, com uma queda de 20,4%. Maio já tinha sido negativo, com 3,5% de baixa. A recuperação veio sobre dois meses de contração.

Julho quebrou a sequência, mas o preço subiu num ambiente de liquidez encolhida. O open interest da CME segue perto de mínimos plurianuais e os futuros perpétuos estabilizaram em torno de 300 mil BTC, número que não se mexe há semanas.

O sentimento também não acompanhou. O Fear & Greed Index marcou 28 pontos no fechamento do mês, em território de medo extremo pelo quinto dia seguido. Leituras abaixo de 30 historicamente sinalizam capitulação, mas o preço não caiu e o sentimento também não subiu.

Exchange flows não mostram direção clara. O analista Axel Adler Jr. disse que não houve mudança direcional significativa no supply de Bitcoin com base nas transferências para corretoras. Nem venda nem acúmulo.

A dominância do Bitcoin está em 56,7%, número elevado que sugere que o capital que ainda circula prefere BTC a altcoins. Mas esse capital também não está girando com volume. O índice Long/Short do Labo Spot mostra que o mercado segue majoritariamente comprado, com o Taker Buy/Sell Ratio em 1,09, leve predominância de compradores que não se traduziu em movimento.

Para o analista Darkfost, uma volta do BTC a uma tendência de alta sustentável depende de uma mudança no regime macro e, acima de tudo, do retorno da demanda. Um aumento nos volumes exigiria um choque de confiança que não apareceu em julho.

O market cap do Bitcoin é de US$ 1,30 trilhão, contra US$ 2,29 trilhões do mercado total de cripto. A fatia do BTC cresceu nos meses de baixa, mas em termos absolutos o bolo encolheu.

O volume de transações em toda a rede também reflete o esfriamento. O volume total registrado nas últimas 24 horas foi de US$ 67,9 bilhões, número baixo para um mercado que no fim de 2024 chegava a triplicar esse valor em dias movimentados.

O contraste com julho de 2024 é direto. Naquele ano, o mercado de derivativos estava aquecido e o volume spot sustentava uma alta consistente. Agora, o Bitcoin subiu com um dos motores desligados.

Agosto começa sem um catalisador claro. O CPI de junho veio abaixo do esperado e reabriu a porta para cortes de juros em setembro. Esse é o tipo de mudança de regime macro que o mercado precisa, mas o efeito sobre o volume ainda não apareceu.

A divergência entre preço e liquidez resume o dilema do Bitcoin em julho de 2026. Subiu o suficiente para interromper a sequência negativa, mas não o bastante para trazer o mercado de volta. Agosto dirá se o silêncio foi acumulação ou cansaço.

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