Bitcoin

A conta de US$ 16 bilhões do ETF de bitcoin vence em 14 de agosto

O capital americano investido em ETFs de bitcoin está 22% no vermelho, com custo médio de US$ 82.249 por moeda e US$ 16,33 bilhões em perdas não realizadas, segundo estimativas da Bloomberg. No dia 14 de agosto, os grandes gestores entregam à SEC o formulário que revela o que fizeram com essas posições no fim de junho, e o mercado vai descobrir quem ficou e quem fugiu.

O formulário 13F existe há décadas, mas nunca carregou tanta importância para o bitcoin.

O prazo que a SEC impõe

Pela regra da SEC, qualquer gestor com mais de US$ 100 milhões em valores mobiliários qualificados precisa declarar suas posições até 45 dias após o fim do trimestre. As posições de 30 de junho vencem em 14 de agosto, uma sexta-feira, e os documentos vão mostrar os ETFs de bitcoin sob o olhar de bancos, fundos de pensão e gestoras.

O contexto chega carregado. Em 1º de julho, a Citi cortou o alvo de 12 meses do bitcoin de US$ 112 mil para US$ 82 mil e reduziu a previsão de entradas líquidas nos ETFs de US$ 10 bilhões para zero.

O número chama atenção pela coincidência, já que o alvo da Citi fica a cerca de US$ 249 do custo médio estimado pela Bloomberg. Uma das previsões mais comentadas de Wall Street para o bitcoin agora aponta quase exatamente para o preço em que o investidor médio de ETF voltaria ao zero a zero.

A matemática do setor ajuda a entender o tamanho do teste.

A conta dos fluxos

Os ETFs de bitcoin à vista acumulam US$ 51,6 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento, mas o fluxo recente segue outra direção. Foram US$ 4,36 bilhões em saídas entre 15 de maio e 3 de junho, US$ 4,51 bilhões negativos em junho inteiro e apenas US$ 438 milhões recuperados em julho até o dia 30.

O dia 30 de julho, porém, trouxe US$ 233,1 milhões de entrada líquida, um sinal de que o pânico não virou regra.

O IBIT, fundo da BlackRock, segue como a âncora de liquidez do complexo, com US$ 47,7 bilhões em ativos e cerca de 1,3 bilhão de cotas em circulação. O retorno do valor patrimonial no ano está negativo em 25,94%.

Quem espera respostas claras do mercado institucional precisa conhecer os limites do documento, já que a orientação da SEC exclui posições vendidas e opções escritas do 13F. Um gestor pode aparecer como grande detentor de cotas e, ao mesmo tempo, estar protegido por operações que não constam do registro. Opções de longo prazo podem surgir em seções separadas, mas não entram na contagem de cotas comuns.

A primeira leitura do setor mostra o tamanho do interesse institucional.

No primeiro trimestre, 1.560 instituições declararam participação no IBIT, somando US$ 27,6 bilhões, com Jane Street, Susquehanna, Goldman Sachs, Citadel e Millennium entre os maiores nomes. Um agregador que exclui opções chega a US$ 12,5 bilhões, diferença que mostra o quanto os totais brutos inflam quando derivativos entram na conta.

O que os formulários vão mostrar

No cenário otimista, os formulários mostram bancos, consultorias e fundos de pensão mantendo ou ampliando suas cotas mesmo com a queda do segundo trimestre, com o fluxo positivo voltando a aparecer mesmo abaixo dos US$ 82 mil.

Pelo lado pessimista, os maiores detentores do primeiro trimestre aparecem com reduções ou saídas completas, e as novas posições ficam concentradas em formadores de mercado e contas com forte presença de opções, sinais de capital tático, não estratégico.

O macro também pesa, com os títulos do Tesouro de 10 anos pagando 4,739% e os de 30 anos, 5,2713% no fim de julho, rendimento que compete com um ativo que não paga nada.

A matéria publicada ontem no LaboNews mostrou como a concentração no IBIT virou o motor do setor, com a BlackRock comprando US$ 273 milhões em dois dias enquanto as outras onze emissoras devolviam dinheiro.

O teste de 14 de agosto vai além dos números de fluxo. Ele decide se a promessa de que os ETFs trariam capital durável se sustentou no primeiro mergulho sério, ou se o produto apenas serviu de abrigo rápido para dinheiro que não pretendia ficar. A resposta está nos formulários, e a conta de US$ 16 bilhões é só o começo dela.

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