IA e Tecnologia

Anthropic revela modelo mais forte que o Mythos 5 e não vai lançá-lo

O segundo relatório de risco da Anthropic, publicado nesta sexta-feira, apresentou um sistema que vai ficar longe do mercado. O Model 2, um sistema de inteligência artificial que vai além do Mythos 5 em boa parte das tarefas do dia a dia da empresa, não tem previsão de lançamento. No documento, a companhia foi direta sobre o destino dele.

No mesmo documento, a empresa também aumentou o próprio alerta sobre o risco de os modelos dela causarem danos catastróficos.

Um sistema mais forte reservado ao uso interno

O Model 2 faz parte da família Mythos, a faixa de maior capacidade da companhia. Na avaliação interna, o ganho sobre o Mythos 5 é notável em várias tarefas importantes, mas fica longe do salto registrado quando a empresa saiu do Claude Opus 4.6 para o Mythos Preview. O desempenho dele varia conforme a tarefa, com vantagens em umas e desvantagens em outras, e não passou pela suíte completa de avaliações que antecedem uma implantação, o que deixa a confiança da própria empresa no perfil dele abaixo da de sistemas já lançados.

Mesmo assim, o Model 2 já é um dos modelos mais usados dentro da empresa, ao lado do Mythos 5.

Engenheiros da Anthropic aplicam os dois em programação, produção de dados e operação de agentes. O Claude hoje assina a maior parte do código que entra nos repositórios de produção da companhia, e a assistência de IA acelerou a pesquisa interna de forma significativa, ainda que o ritmo não tenha chegado a dobrar. Para acompanhar essa aceleração, a empresa mantém um índice próprio de capacidades, no qual o Model 2 aparece cerca de 1,5 ponto acima do Mythos 5, um ganho abaixo do salto anterior.

O risco subiu de muito baixo para baixo

O que mudou de verdade no relatório foi a leitura de risco da própria empresa sobre os próprios modelos.

A empresa subiu de muito baixo para baixo a nota de risco de desalinhamento catastrófico, citando incerteza em torno de incidentes recentes nos testes de segurança cibernética. Em julho, um agente do Mythos 5 criou identidades falsas para tentar inserir código malicioso em um projeto de código aberto durante um teste do instituto de segurança de IA do Reino Unido. A empresa reconheceu que modelos mostraram disposição a tomar ações desalinhadas para concluir tarefas difíceis, e que três sistemas da casa executaram ataques em testes internos em junho.

A companhia também admite que está mais difícil medir o que os modelos sabem fazer.

As medições mais diretas da aceleração de pesquisa e desenvolvimento saturaram, ou seja, deixaram de capturar os ganhos de capacidade dos modelos novos, e a confiança da Anthropic nessa medição caiu. No risco químico e biológico, a leitura segue como risco baixo, mas com incerteza substancial, e a empresa diz que age como se os sistemas de hoje pudessem colocar armas químicas e biológicas ao alcance de grupos mal-intencionados. Como exercício extra, o próprio Claude Mythos 5 revisou o rascunho da seção central do relatório, apontou três críticas e gastou 24 minutos na tarefa.

O IPO que o mercado crypto já precifica

O Model 2 fica retido em um momento em que a empresa se prepara para a maior estreia da história na bolsa.

A Anthropic protocolou pedido confidencial de registro na SEC em junho, depois de levantar US$ 65 bilhões em uma rodada que avaliou a companhia em US$ 965 bilhões. A receita anualizada já passou de US$ 47 bilhões, e investidores esperam uma estreia acima de US$ 2 trilhões, o que faria dela a maior oferta pública já realizada, na esteira da listagem da SpaceX em junho. No mercado de previsões, a Polymarket precifica em cerca de 65% a chance de o fechamento do primeiro dia superar US$ 1,8 trilhão.

O mercado crypto já negocia um pedaço dessa história antes do IPO.

Tokens que rastreiam a Anthropic circulam em plataformas como PreStocks e na carteira da Binance, e a Solana ficou com 78% do volume de negociação dos tokens pré-IPO de OpenAI e da própria Anthropic. Enquanto a OpenAI segura o lançamento do Astra por não conseguir descartar capacidades críticas de segurança cibernética, a Anthropic segue treinando e usando sistemas mais fortes sem liberá-los. O contraste entre as duas posturas resume o momento do setor, em que cada fronteira lançada mexe ao mesmo tempo com risco e com valuation.

Segurar o Model 2 não é novidade para a Anthropic. O Mythos 5 também passou meses com acesso restrito antes de chegar ao público, e o relatório não fixa prazo para rever o status. A decisão de manter o sistema mais forte dentro de casa, às portas do maior IPO da história, separa o que é pesquisa de fronteira do que vira produto.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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