Saylor liga o Bitcoin Drive e sinaliza volta às compras da Strategy
Dias depois do pior resultado trimestral da história, a Strategy recebeu do próprio chairman o sinal de que a fase defensiva pode estar perto do fim. No domingo, Michael Saylor publicou no X a mensagem “Bitcoin Drive engaged” com o tradicional gráfico de acompanhamento das reservas, mesmo formato usado antes de anúncios de tesouraria. O mercado leu o post como uma pista de que a maior detentora corporativa de bitcoin pode retomar as compras.
O teaser chegou logo após o balanço que escancarou um prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões no segundo trimestre.
O gráfico publicado por Saylor não esconde o tamanho do tombo. O painel mostra 843.775 bitcoins no cofre, cerca de 4,2% de todo o fornecimento circulante, com custo médio de US$ 75,5 mil. No preço atual, a perda não realizada soma US$ 10,58 bilhões, 16,58% abaixo do preço médio de aquisição.

Um estoque bilionário comprado caro e marcado a um preço de mercado bem mais baixo.
O título de maior detentora institucional de bitcoin do mundo, porém, segue com a empresa. O cofre da Strategy supera o de qualquer fundo negociado em bolsa ou tesouraria corporativa, e foi essa escala que transformou cada movimento da companhia em notícia de mercado.
O rombo do segundo trimestre nasceu no papel, não no caixa. O balanço divulgado em 30 de julho registrou um markdown não realizado de US$ 8,32 bilhões sobre os ativos digitais, efeito da regra de fair value, que obriga a empresa a reconhecer no resultado a variação do preço do bitcoin. No trimestre, a criptomoeda caiu cerca de 14%, de US$ 68 mil no fim de março para US$ 58,7 mil no fechamento contábil de junho, com perda de US$ 24,45 por ação.
Como o LaboNews mostrou na cobertura do balanço, o resultado veio acompanhado de uma novidade. A empresa vendeu 3.588 bitcoins por cerca de US$ 216 milhões para bancar os dividendos das preferenciais, e as vendas do ano pelo programa de monetização somam US$ 218,4 milhões.
Foi a primeira vez que a máquina de acumulação trabalhou no sentido contrário em escala relevante.
O próprio Saylor tratou de corrigir a narrativa. No sábado, ele rejeitou relatos de nova autorização de vendas de US$ 5 bilhões como informação reciclada do programa anunciado em 29 de junho, e afirmou que não existe política formal de nunca vender.
Nas duas publicações, o recado foi o mesmo. A companhia pretende continuar comprando.
A defesa financeira que sustenta o sinal
Por trás do recado há um balanço que o mercado observa de perto. A Strategy montou uma reserva em dólares de US$ 3,75 bilhões, suficiente para cobrir 2,1 anos de dividendos e juros, e reduziu a dívida conversível em 18%, de US$ 8,21 bilhões para US$ 6,7 bilhões, após recomprar US$ 1,5 bilhão em notas com desconto de 8%. A engenharia de capital agora gira em torno do crédito digital, com várias linhas de preferenciais pagando dividendos mensais.
A munição para voltar a acumular não falta. A empresa levantou US$ 17,06 bilhões em emissões de ações neste ano e ainda dispõe de cerca de US$ 22,98 bilhões em capacidade de venda no programa at-the-market, segundo o informe mais recente à SEC.
O conselho também autorizou vender até US$ 1,25 bilhão em bitcoin para reforçar a reserva.
O sinal de domingo repetiu o roteiro que o mercado já decifrou. Em 27 de julho, Saylor publicou “We’re gonna need another color” e dias depois a empresa anunciou o reforço da reserva. Agora, o “Bitcoin Drive engaged” chegou na véspera da divulgação semanal de tesouraria, prevista para segunda-feira.
Na semana encerrada em 26 de julho, a Strategy não comprou nenhum bitcoin. A imagem publicada no domingo sugere que a pausa pode ser curta.
O que a segunda-feira pode trazer
Se a leitura do mercado estiver certa, segunda-feira deve trazer o primeiro anúncio de compra desde junho, quando as vendas para dividendos quebraram a sequência de acumulação. Com o bitcoin perto de US$ 63 mil, abaixo do custo médio, cada lote comprado reduz o preço médio do estoque e encurta o caminho de volta ao azul. A tese segue de pé, mas agora com gestão ativa de caixa.
O mercado, porém, segue cético. A ação MSTR fechou a semana em US$ 93,28, cerca de 76% abaixo do pico de US$ 404 de meados de 2025. A diluição constante e o custo do crédito digital pesam na avaliação dos papéis.
Na quinta-feira, o assunto era o rombo. No domingo, é a volta ao ataque. A virada de tom em três dias resume a nova fase da empresa.
A fase defensiva da Strategy pode estar terminando antes do esperado. Com 843.775 bitcoins no balanço, reserva para mais de dois anos de obrigações e bilhões em capacidade de emissão, a empresa tem combustível para retomar a acumulação com o preço descontado. O anúncio de segunda-feira dirá se o Bitcoin Drive engatou de verdade ou se foi apenas mais um teaser de Saylor.
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