Mercado Crypto

Mastercard leva infraestrutura de stablecoin da BVNK aos seus 17 bilhões de pontos

A Mastercard concluiu nesta semana a aquisição da BVNK, empresa londrina de infraestrutura para pagamentos com stablecoin, transformando uma das maiores apostas do setor de cartões em um negócio operacional. O valor negociado chegou a US$ 1,8 bilhão, incluindo US$ 300 milhões em pagamentos contingentes.

O acordo, anunciado em março, foi fechado no dia 3 de agosto, segundo comunicado oficial da companhia.

A BVNK, fundada em 2021, oferece a base tecnológica que permite a empresas enviar, receber, guardar e converter dinheiro entre moedas tradicionais e redes de blockchain. Essa estrutura agora passa a funcionar ao lado dos serviços de cartão, pagamento bancário e ativos digitais da Mastercard.

O desenho é direto. Em vez de colocar o stablecoin como substituto de cartões ou transferências, a Mastercard constrói uma camada de interoperabilidade que deixa cada sistema convivendo com o outro.

Com isso, bancos podem conectar contas de clientes a carteiras digitais. Empresas de processamento ganham a possibilidade de liquidar transações de comerciantes durante todo o dia, sem depender de janela bancária. Exchanges, por sua vez, conseguem ligar saldos de stablecoin a cartões, pagamentos globais e trilhos de moeda fiduciária.

Fintechs e marketplaces também entram no mapa. Para eles, a infraestrutura permite lançar carteiras, contas e produtos de fronteira sem precisar gerenciar vários provedores de liquidez, parceiros bancários e conexões de blockchain ao mesmo tempo.

O que a BVNK adiciona à rede

O foco da Mastercard está no lado menos especulativo do mercado de stablecoin, onde entram pagamentos entre países, remessas, liquidação e gestão de tesouraria.

Para Jorn Lambert, diretor de produto da Mastercard, o momento dos ativos digitais deixou de ser experimental.

Moedas digitais, e as stablecoins em particular, resolvem hoje problemas concretos, como pagamento entre empresas de países diferentes, remessas e liquidação, avalia ele.

A visão dele vai além do stablecoin em si. Lambert descreve um mundo com várias moedas convivendo, entre dinheiro fiduciário, stablecoins e depósitos tokenizados, e diz que o próximo modelo de pagamento será definido por quão bem cada trilho conversa com os demais, em vez de disputar quem domina.

Para os clientes atuais da BVNK, nada muda por ora.

A empresa informou em seu blog que eles continuam usando os mesmos produtos, integrações e equipes de suporte, sem precisar tomar nenhuma ação. Com o tempo, porém, passam a ter acesso à rede mais ampla de pagamento e às capacidades de cartão da Mastercard.

O alcance por trás da aposta

O tamanho dessa rede é o argumento central do negócio. A Mastercard se conecta a mais de 17 bilhões de pontos no mundo, e seus cartões são aceitos em centenas de milhões de estabelecimentos.

A aquisição reflete uma mudança maior na indústria de pagamentos.

Em vez de apostar que o stablecoin vai tomar o lugar de cartões ou transferências, a Mastercard trata os ativos digitais como mais uma via dentro de um mesmo sistema. Essa postura tende a agradar grandes instituições, que querem liquidação mais rápida e pagamentos programáveis sem abrir mão de controles de conformidade, acesso a moeda fiduciária e distribuição estabelecida.

O papel de cada lado fica claro na conta final. A BVNK fornece a infraestrutura de blockchain, e a Mastercard entra com a escala.

Restam dúvidas legítimas sobre ritmo de adoção e regulação, mas o recado da companhia é objetivo. Uma das maiores redes de pagamento do mundo está apostando que stablecoin é infraestrutura, não moda passageira, e o desfecho desse movimento será observado de perto por bancos, fintechs e concorrentes no setor.

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