Mercado Crypto

Bitwise vê bitcoin a US$ 1,3 mi puxado pelo dinheiro institucional

O diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, afirmou que o bitcoin vai atrair trilhões de dólares de investidores institucionais na próxima década, conforme o ativo passa a ser tratado como algo comum no mercado financeiro. A projeção dá ao bitcoin um preço de US$ 1,3 milhão por unidade até 2035, e o argumento central por trás dela é o tamanho dos grandes fundos que ainda não entraram no setor.

A conta do 1%

O argumento parte de um dado que impressiona. Instituições como fundos de pensão, fundações, seguradoras e fundos soberanos controlam entre US$ 100 trilhões e US$ 200 trilhões em ativos no mundo. Segundo Hougan, uma alocação de apenas 1% desse montante já seria suficiente para sustentar o preço alvo que ele projeta para o fim da década.

Quem deve liderar essa entrada, porém, não é o grande fundo de pensão logo de cara. Os primeiros a alocar em escala, na visão de Hougan, serão os assessores financeiros e os family offices. O movimento já aparece em arquivos de declarações de fundos ligados aos ETFs de bitcoin à vista e nas iniciativas de grandes gestoras de patrimônio, como Morgan Stanley e Wells Fargo, para tornar o ativo mais acessível aos clientes. Com o tempo, o dinheiro viria de fontes ainda maiores.

Hougan espera que fundações, doações, fundos de pensão, seguradoras, fundos soberanos e bancos centrais entrem na sequência, ampliando o volume de capital à procura do ativo. O executivo ressalta que esse processo deve levar mais de dez anos, o que afasta leituras de movimento imediato.

O raciocínio para o preço alvo passa pela comparação com o ouro. O mercado de reserva de valor, do qual o ouro é a referência, já foi avaliado em cerca de US$ 2 trilhões quando os ETFs do metal foram lançados em 2004 e hoje está perto de US$ 30 trilhões. Se esse mercado continuar crescendo no ritmo histórico e o bitcoin tomar um quarto dele, cada moeda valeria US$ 1,3 milhão.

Em outra leitura, se o bitcoin ficasse com metade desse mercado, o valor subiria a US$ 715 mil por unidade.

A troca de motor do bitcoin

A visão de Hougan também aponta uma mudança no papel da Strategy.

A empresa, maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, com 842.138 moedas, foi por anos o principal motor de compra do ativo. Para o executivo, porém, ela deixa de ser o grande vetor de demanda, mesmo continuando a acumular, ainda que em ritmo mais lento e mais ligado ao ciclo de preço.

O que explica essa virada é o surgimento dos ETFs à vista. Eles oferecem uma via direta de exposição ao bitcoin, o que dificulta a Strategy de manter seu papel negociado com prêmio sobre o valor dos ativos que possui. Além disso, a empresa já emitiu boa parte da dívida que o mercado aceitava apoiar com o seu balanço, esgotando os caminhos fáceis de acumulação que usou no passado.

O setor cripto como um todo já sabe o que é crescer no varejo.

A cripto nasceu apoiada no investidor pessoa física, que a levou de zero a US$ 2 trilhões em valor. Para Hougan, dar o salto de US$ 2 trilhões para US$ 20 trilhões depende justamente do capital institucional, que concentra a maior parte do dinheiro do mundo.

O executivo tira o foco das perguntas sobre o fundo do mercado.

Para quem investe no longo prazo, a questão relevante não é se o bitcoin encontrou um piso local. A pergunta mais útil, segundo ele, é se o topo já entrou, o que reforça a leitura de que o movimento institucional ainda tem espaço para correr.

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