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Contrato de US$ 9,1 bi tira 191 MW da Riot da mineração para a Anthropic

A Riot Platforms fechou um contrato de vinte anos para alugar 191 megawatts de capacidade do campus de Rockdale, no Texas, para a Anthropic, a empresa de inteligência artificial dona do Claude. O acordo, anunciado na segunda-feira junto com o balanço do segundo trimestre, deve gerar cerca de US$ 9,1 bilhões em receita no prazo inicial.

O mesmo campus que um dia abrigou fileiras de máquinas de mineração agora vende nuvem.

O campus de Rockdale tem 700 megawatts de capacidade de interconexão com a rede. A Anthropic aluga 191 megawatts de capacidade crítica de TI em um data center Tier 3 construído sob medida, com entrega em fases. Os primeiros 96 megawatts ficam prontos em dezembro de 2027 e os 191 completos até junho de 2028.

O contrato traz ainda duas opções de extensão de cinco anos.

A energia de Rockdale vira IA por duas décadas

Se as duas forem exercidas, o valor total salta para US$ 16,1 bilhões. A Riot estima uma contribuição de NOI, a receita operacional líquida, entre US$ 7,3 bilhões e US$ 8,2 bilhões no prazo base, algo entre US$ 365 milhões e US$ 411 milhões por ano. O financiamento inicial de US$ 573 milhões veio do Morgan Stanley enquanto a garantia de crédito é finalizada.

O acordo com a Anthropic é o segundo inquilino do campus.

A AMD foi a primeira. A fabricante de chips alugou 25 megawatts em janeiro e exerceu a opção de dobrar para 50. Juntas, as duas locações somam 241 megawatts contratados, cerca de US$ 9,8 bilhões em receita de longo prazo. A divisão de data centers já rendeu US$ 23,2 milhões no segundo trimestre, com a entrega dos primeiros 25 megawatts à AMD no prazo e no orçamento.

Enquanto a IA vira o novo negócio, o balanço entra em modo de liquidação.

O bitcoin do balanço financia a virada

A Riot vendeu 3.778 bitcoins no primeiro trimestre por aproximadamente US$ 289,5 milhões, a um preço médio líquido de US$ 76.626 por moeda. O volume é mais do que o dobro dos 1.473 bitcoins minerados no período. A venda de dezembro levou 1.818 bitcoins por US$ 161,6 milhões, e novembro contribuiu com outros 383 por US$ 37 milhões.

As holdings fecharam o ano em 18.005 bitcoins.

Em janeiro, cerca de 1.080 bitcoins foram vendidos para financiar a compra de 200 acres em Rockdale, um terreno de US$ 96 milhões pago explicitamente com moedas do balanço. A mineradora encerrou o segundo trimestre com 11.380 bitcoins, dos quais 5.821 dados como garantia, além de US$ 548,9 milhões em caixa.

O anúncio pegou o mercado fora do horário regular.

A ação da Riot fechou o pregão em US$ 19,40 e saltou cerca de 25% nas negociações após o fechamento. O bitcoin, que a empresa ainda minerava 1.587 unidades no trimestre, rondava US$ 64.194.

A receita previsível mudou de natureza.

Antes, o lucro dependia do preço do bitcoin e da sorte de encontrar blocos. Agora, uma fatia relevante vem de um contrato de vinte anos com uma das empresas mais valiosas de IA, com data de entrega e valor assinado. A mineração segue no balanço, mas a conta da transição sai do estoque de bitcoins, que segue encolhendo. É o mesmo caminho que a rede inteira já mostrava no hash rate, agora com nome e sobrenome, como mostrou a matéria sobre a migração em massa para IA.

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