Falha em um provedor derruba 29% do stake e quase para a Solana
Mais de um quarto do SOL em staking saiu do ar na manhã desta quarta-feira, e a Solana ficou 4,51 pontos abaixo do limite de 33,34% em que a rede congela a finalidade. O erro de roteamento em um único provedor derrubou 28,83% do stake, a cerca de 86% do caminho para esse limite.
O episódio quase encerrou a sequência de 30 meses sem interrupção geral, mantida desde fevereiro de 2024. O SOL mal se mexeu, perto de US$ 75,65.
O defeito nasceu na Teraswitch, provedor que hospeda parte relevante dos validadores da rede.
A Teraswitch sinaliza com uma rota padrão que um roteador de borda tem saída para a internet, e cada site costuma preferir a que os próprios roteadores originam. Uma rota do site de Miami foi propagada sem os atributos que a distinguiam, e um refletor de rotas em Amsterdã a levou para os mercados da Europa e da Ásia-Pacífico, onde foi tratada como local e preferida à legítima. Doze sites em Londres, Amsterdã, Dublin, Frankfurt, Singapura e Tóquio ficaram sem rota válida, e a América do Norte seguiu intacta. A rota malformada foi identificada em dez minutos, e o serviço voltou às 04h16 UTC.
O que quase parou a rede
Foi a Marinade Finance, protocolo de staking, quem puxou os números do susto.
O apagão ficou preso a um único sistema autônomo, bloco de redes sob a mesma administração, o AS20326, que carrega 118.890.767 SOL, volume equivalente a mais de um quarto do stake total, com 94% dele fora do ar nos mesmos minutos. O número já fura o teto desenhado para evitar isso, o programa de delegação da Solana Foundation limita cada sistema autônomo a 25% do stake, e o AS20326 opera em 27,34%.
Cerca de 90 validadores perderam 333 SOL em recompensas, cobertos pelas garantias dos operadores no fim da época.
Se a delinquência cruzasse um terço, nada seria finalizado para ninguém, e nenhuma garantia cobre isso. A Marinade contou que 59 validadores com 80,2 milhões de SOL voltaram na mesma janela, ao esperar o roteamento reconvergir.
A Helius, segundo maior validador, ficou fora os 33 minutos completos. De 74 operadores medidos, apenas três retornaram limpos.
A exposição não se limita a um provedor. Outros 14,1 milhões de SOL saíram do ar em provedores como latitude.sh e Limestone, além de Butterfly Research e Allnodes, movimento que a Marinade não explicou e que sugere que o stake por provedor subestima o que cai junto.
A Marinade aplicou a mesma régua sobre si mesma e encontrou quatro sistemas autônomos com dois terços do stake que distribui, um deles com 36,94%. O protocolo admitiu que a concentração o incomoda e prometeu revisar os limites de concentração em cada rede e cada data center, além de publicar se um validador opera com troca a quente.
O último apagão completo da Solana aconteceu em fevereiro de 2024, quando a rede levou cerca de cinco horas para voltar. Desta vez o estrago ficou nos números, e o mercado seguiu em frente. O susto escancarou a fragilidade que os números de uptime escondem, a descentralização depende menos da quantidade de validadores do que de onde eles estão, e a concentração que a Marinade encontrou nela mesma é a que quase parou a rede.
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