Ethereum abandona Poseidon após 8 anos e volta para SHA e BLAKE
A Fundação Ethereum decidiu aposentar o Poseidon, o hash de criptografia desenvolvido sob medida para provas de conhecimento zero, e direcionar os designs futuros da camada 1 para os hashes tradicionais SHA e BLAKE. O anúncio foi feito pelo pesquisador Justin Drake no dia 13 de agosto, encerrando oito anos de investimento da fundação em uma primitiva criptográfica que chegou a proteger bilhões em rollups.
O pesquisador afirmou que o Poseidon continua intacto, sem ordem de migração nem fork implantado, mas os avanços recentes em sistemas de prova mudaram a relação de custo e benefício que mantinha o hash na frente.
Para entender a mudança, é preciso olhar para o que faz um sistema de prova. Os SNARKs produzem provas enxutas que atestam a execução correta de um cálculo, e muitos deles usam aritmética sobre corpos primos grandes, cenário em que os hashes convencionais como o SHA-256 e o Keccak historicamente pagavam caro em tempo de prova por causa das suas operações bit a bit.
O Poseidon foi desenhado exatamente para reduzir esse custo, encaixando-se na matemática preferida do sistema de prova.
Por que o Poseidon perdeu a vez
A novidade veio de pesquisas com campos binários, que trabalham naturalmente com zeros e uns, o que combina bem com as operações bit a bit do Keccak. O paper Flock, divulgado em 29 de julho, usa as técnicas mais novas em lotes grandes de hashes padrão e mudou o placar.
No benchmark do paper, um único núcleo de um processador M4 Max prova cerca de 82 mil compressões do BLAKE3 por segundo, 42 mil do SHA-256 e 30 mil permutações do Keccak.
Com dez núcleos, a marca passa de 660 mil compressões do BLAKE3 por segundo, e a prova de SHA-256 roda mais de nove vezes mais rápido do que o Binius64, o estado da arte anterior, e mais de quinhentas vezes mais rápido do que o SNARK de curvas elípticas mais veloz medido pelos autores.
O benchmark é uma prova de conceito, com métrica diferente da capacidade de transações em produção.
Drake chamou o avanço de reversão no desenho criptográfico, com SNARKs amigáveis a hashes reduzindo a necessidade de hashes amigáveis a SNARKs. Os hashes convencionais podem voltar ao processo de design da Ethereum sem arcar com o custo de prova de antes, e a rede ganha primitivas com décadas de análise pública.
O SHA-256 faz parte do padrão de hash seguro do NIST, e o BLAKE2 tem especificação pública desde 2015, enquanto o BLAKE3 é mais novo e menos testado.
A rota pós-quântica da rede
A decisão tem um componente pós-quântico, já que a rede pretende trocar as assinaturas BLS dos validadores pelo modelo leanXMSS, construído sobre hash, e contar com a leanVM para comprimir dados bem maiores em provas enxutas.
Com provas de hash baratas, esse desenho perde um dos seus pontos de estrangulamento.
No cronograma pessoal de Drake, a leanVM chega à produção por volta de 2027, com consenso, dados e execução recebendo as mudanças em 2028, enquanto o roadmap oficial pós-quântico dá um alvo não vinculante de cerca de 2029 para a infraestrutura central.
O roadmap orienta os usuários a não mudarem nada nas carteiras, e o aviso de Drake tampouco mexe com os rollups ou zkVMs existentes, já que a decisão trata das bases de hash de uma camada 1 futura.
A troca de um hash especializado de oito anos por primitivas padrão não é uma admissão de erro, e sim o reconhecimento de que o campo avançou, e a Ethereum, que construiu seu plano em torno da matemática que faltava, agora pode escolher as ferramentas que o mundo já conhece, testa e audita há décadas.
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