A Ethereum estuda o modelo que Adam Back defendia antes do lançamento
Adam Back afirmou que avisou a equipe que criou a Ethereum, antes de a rede entrar no ar, que ela deveria adotar o sistema de pagamentos do bitcoin. O alerta, segundo ele, não foi ouvido, e a máquina virtual escolhida pelos desenvolvedores acabaria criando o que o criptógrafo chama de condições de corrida, situações em que o resultado de uma operação depende da ordem em que as outras acontecem.
Agora, a rede que ele diz ter alertado estuda esse mesmo modelo.
A proposta que trouxe o assunto de volta
Uma proposta publicada no fórum de pesquisa da Fundação Ethereum, no começo de julho, quer conter o crescimento do registro da rede. O autor, Toni Wahrstätter, defende que pagamentos simples sejam tratados como objetos temporários, apagados depois do uso, sem deixar uma entrada permanente para cada endereço novo.
O próprio texto estima que o formato cortaria em cerca de 99,8% o espaço ocupado por pagamentos. Nas contas do autor, 1 bilhão de endereços no modelo atual ocuparia entre 100 e 150 gigabytes de registro permanente. No desenho novo, esse mesmo bilhão ficaria em cerca de 300 megabytes. No bitcoin, cada moeda é um objeto separado, gasto uma única vez. Na Ethereum, o que existe é o saldo das contas, atualizado a cada movimento. A proposta mantém esse sistema e cria, ao lado dele, um caminho mais leve para transferências que não exigem programas nem dados guardados para sempre.
São estimativas do próprio projeto, sem medição em uma rede cheia de transações reais.
A pesquisa conversa com um esforço maior da fundação para aliviar o peso da rede. Em 16 de agosto, o cofundador Vitalik Buterin elogiou publicamente o trabalho de desenvolvedores do bitcoin, citou o projeto Utreexo e disse querer o melhor dos dois estilos de registro de dados dentro do mesmo sistema.
O aviso de Back encontra companhia
Back é uma das figuras centrais das origens do bitcoin. Criou o Hashcash, mecanismo de prova de trabalho que inspirou a mineração, e hoje comanda a Blockstream, empresa de infraestrutura.
O desenho da Ethereum sempre foi alvo de sua desconfiança. Charles Hoskinson, fundador da Cardano, seguiu a mesma linha e afirma que a ideia copia o modelo que a rede dele usa desde o lançamento. Hoskinson reclama que a Ethereum evita citar a Cardano justamente porque tenta reproduzir a proposta que ele diz ter desenvolvido por uma década.
Back aponta o modelo de contas da própria Ethereum como a origem do problema, porque programas que dividem o mesmo estado podem interferir uns nos outros, o que ele associa às condições de corrida.
O argumento acompanha uma crítica recorrente do criptógrafo, de que a complexidade da máquina virtual atrapalha até a conferência do que uma carteira de hardware assina, deixando o usuário sem saber ao certo o que aprovou. Em uma conversa sobre linguagens de contrato, ele disse que sistemas como o da Ethereum funcionam como máquinas conversando entre si, algo que, na visão dele, fica muito complicado.
O que falta para sair do papel
Os dois fundadores cobram reconhecimento uma década depois.
A proposta continua na fase de pesquisa. Nenhuma EIP, o documento que formaliza uma mudança na rede, foi protocolada, e não há data para entrar em produção. O desenho depende de outra proposta, a EIP-8141, que trata de um novo tipo de transação e está apenas listada como candidata ao upgrade Hegotá, previsto para 2027.
Há ainda pontos em aberto, como a forma de as carteiras encontrarem esses pagamentos sem revelar os donos e quem guarda os dados depois que registros antigos forem descartados.
Os desenvolvedores da Ethereum não responderam publicamente às acusações, e o texto de Wahrstätter não cita o trabalho da Cardano. Para virar realidade, a ideia precisa de uma EIP formal, de revisão da comunidade e de uma atualização coordenada da rede, o chamado hard fork, etapas que costumam levar anos mesmo quando há consenso.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.