As exchanges guardam 1,79 milhão dos bitcoins com a chave à vista
A conta supera 6 milhões de moedas. É o total de bitcoins guardados em endereços cuja chave pública já apareceu na rede, o equivalente a 31,2% de tudo que já foi minerado.
O dado foi atualizado nesta semana por Rafael Schultze-Kraft, que cofundou a Glassnode. Desde maio, a fatia exposta cresceu 222 mil moedas, enquanto o total de bitcoins existentes subiu apenas 64 mil.
Para gastar uma moeda, o endereço precisa revelar a chave pública na primeira vez que envia algo. A partir dela, um ataque que consiga fazer o caminho de volta chegaria à chave privada e esvaziaria o saldo. Endereços que só receberam moedas e nunca enviaram nada mantêm esse dado escondido.
A medição saiu poucos dias depois de o pesquisador Justin Drake, da Fundação Ethereum, pedir que o setor planeje uma migração controlada para endereços novos, no que chamou de modo bunker.
De onde vêm as moedas expostas
A Glassnode separa a conta em duas origens. A primeira é o desenho do próprio endereço, que mostra a chave por construção e responde por 1,92 milhão de bitcoins. É o caso dos endereços antigos que pagam direto para a chave pública, muitos da época de Satoshi, e das saídas do Taproot.
A segunda origem é o comportamento de quem guarda. Reuso de endereço e gestão de chave somam 4,12 milhões de bitcoins, mais do que o dobro da primeira. Repetir um mesmo endereço é o hábito que mais pesa.
Nas exchanges, o padrão aparece concentrado. Elas guardam 1,79 milhão de bitcoins com a chave à vista e responderam por 123 mil das moedas que entraram na conta desde maio.
A distância entre Binance e Coinbase
A exposição muda bastante de uma corretora para outra. Na Binance, 83% do saldo está em endereços com a chave à vista. Na Coinbase, o índice é de 10%.
Fora das corretoras, a Fidelity aparece com cerca de 375 mil bitcoins, dos quais só 2% estão expostos. A Grayscale marca 49%, a Revolut chega a 99% e a Robinhood aparece com 100%.
As carteiras de governos ficam na outra ponta. As reservas oficiais dos Estados Unidos e do Reino Unido estão fora da conta, assim como as de El Salvador.
A diferença não vem do tamanho do saldo. As exchanges administram carteiras bem mais complexas do que os governos, e o contraste atravessa anos de histórico de cada grupo.
O que a medição mostra hoje
O próprio levantamento faz uma ressalva. O número mostra onde as chaves já estão expostas, sem estimar prazo ou chance de ataque. Nenhuma quebra prática da criptografia do bitcoin foi demonstrada até agora.
A conta olha para as moedas paradas com a chave à vista neste momento, e muitas delas talvez nunca saiam do lugar. No caso das exchanges, quase metade do saldo entra nesse grupo, contra menos de 30% entre os demais detentores.
A fatia segura nas corretoras saiu de quase 55% em 2018 e hoje está perto de 45%. Repetir endereços sustenta boa parte desse recuo, e essa rotina é a que pode encolher a exposição sem depender de criptografia nova.
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