Blockchain

Base lidera as camadas 2 com 10,4 milhões de operações por dia

A Base processou 9,57 milhões de transações no dia 22 de setembro e 10,37 milhões no dia seguinte, segundo os dados do growthepie, que acompanha a atividade das camadas 2 e da rede principal do Ethereum. O volume mantém a rede operada pela Coinbase no topo da utilização das camadas 2 e alimenta uma discussão que vai além do número bruto, porque contagem de transações e valor movimentado são medidas diferentes, e a diferença entre as duas cresceu com a rede.

Cada operação custou, em mediana, US$ 0,0012 no dia 22. A rede foi desenhada para absorver interações que não teriam espaço na camada principal do Ethereum.

Quase um terço da atividade das camadas 2

Entre as 27 redes de segunda camada acompanhadas, o total de 22 de setembro chegou a 31,7 milhões de transações, e a Base respondeu por 30,2% delas. A Robinhood Chain veio na sequência, com 7,61 milhões, seguida por OP Mainnet, com 1,77 milhão, e Arbitrum One, com 1,64 milhão. A corretora que lançou a rede em julho sustenta o segundo lugar com a negociação de ações tokenizadas, caminho que a Coinbase também percorre.

Arbitrum One e OP Mainnet nasceram como alternativas para baratear a execução no Ethereum e concentraram a maior parte da história recente das camadas 2. Hoje as duas operam em um patamar diário bem abaixo do volume registrado na Base, o que deslocou o centro de gravidade da atividade das camadas 2 para uma rede mais nova.

O ritmo, no entanto, oscila bastante. A Base fechou 19 de setembro com 7,69 milhões de transações, subiu para 8,41 milhões no dia seguinte e alcançou 10,41 milhões em 21 de setembro, uma variação que não depende de mudanças na infraestrutura da rede.

São quase 3 milhões de transações de diferença em 48 horas na mesma rede, sem qualquer mudança de infraestrutura no período.

O que sustenta esse volume

A atividade não vem de um único aplicativo. A Base abriga corretoras descentralizadas, protocolos de crédito, stablecoins e ativos tokenizados, e esses serviços geram operações em série ao longo do dia. Os US$ 5,0 bilhões em stablecoins emitidos na rede e o volume de US$ 1,1 bilhão negociado nelas nas últimas 24 horas mostram quanto capital passa ali. Boa parte desse fluxo vem de operações de liquidez, ajustes de garantia e liquidações de posições alavancadas.

Em agosto, a Coinbase levou para a Base versões tokenizadas de ações de Apple, Nvidia, Meta e Alphabet, emitidas por uma estrutura sediada em Abu Dhabi e lastreadas em papéis custodiados pela corretora Alpaca. Os tokens negociam sem interrupção de horário, e o registro das operações fica na própria rede.

O crédito entrou na mesma lógica. Contratos de empréstimo em USDC garantidos por bitcoin, construídos sobre o protocolo Morpho e liquidados na Base, movimentam garantias, cobranças e ajustes de posição na rede, e cada uma dessas etapas entra na contagem de transações. A carteira de crédito que a exchange mantém com taxas variáveis já supera US$ 1,4 bilhão de crédito ativo, e esses contratos seguem sendo executados e liquidados na Base.

Do lado do aplicativo, o cliente vê uma tela. Do lado da rede, cada uma dessas etapas vira uma transação na contagem do dia.

Essa é a razão pela qual a contagem pode crescer sem alta proporcional no volume financeiro do mercado. Uma única aplicação pode produzir milhares de chamadas por hora, cada uma contada como transação, sem que isso represente o mesmo valor em cada movimento. A métrica mede uso, não tamanho.

Ethereum ganha escala e muda a distribuição da atividade

A camada principal do Ethereum processou 2,09 milhões de transações no dia 22 de setembro, enquanto as 27 redes de segunda camada somaram 31,7 milhões. É a arquitetura que se firmou com a migração da execução para os rollups, com as operações distribuídas fora da rede principal e a liquidação concentrada nela. O resultado é uma separação cada vez maior entre o lugar onde a operação acontece e a rede que responde pela segurança final de tudo que foi registrado.

Cada transação na camada principal do Ethereum equivale, portanto, a quinze transações nas redes que usam a sua infraestrutura para executar.

O modelo reduziu custos e ampliou a capacidade de execução, mas mudou o que cada número significa. O valor total bloqueado na Base chega a US$ 6,1 bilhões, e a rede que garante a segurança final das operações é a mesma para todo o ecossistema. Medir o uso do Ethereum passou a exigir a soma de métricas que antes ficavam separadas, e a comparação direta entre redes perdeu parte do sentido.

Nenhuma dessas contagens separa uso humano de automação. A medição por endereços ativos também pede cuidado, já que a Base registrou cerca de 341,7 mil endereços ativos em 22 de setembro e 309,3 mil no dia 23, com transações mais altas no intervalo.

Mais transações e menos endereços ativos no intervalo de um dia, o que indica operações maiores na média por endereço que aparece.

Onde a conta fecha melhor é no capital que permanece. Stablecoins, crédito e ativos tokenizados trazem saldo recorrente, e não apenas uma sequência de operações pequenas. Em setembro, esse conjunto responde por bilhões de dólares depositados na Base e por um volume diário de negociação que se mantém acima de US$ 1 bilhão. É esse dinheiro parado que sustenta a rede nos dias em que a contagem de transações cai, porque o saldo não desaparece.

Os dados de setembro mostram a Base operando acima de 9 milhões de transações diárias, com US$ 5,0 bilhões em stablecoins emitidas na rede e US$ 6,1 bilhões em valor bloqueado. É esse conjunto, e não a contagem de transações isolada, que indica quanto da atividade se transformou em uso recorrente da rede ao longo do mês.

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