Bitcoin fecha o melhor terceiro trimestre desde 2017 e US$ 82 mil se torna o nível decisivo
O terceiro trimestre terminou com o bitcoin na casa dos US$ 84 mil e uma valorização de aproximadamente 43%, o melhor resultado para o período desde 2017. Existe outro número, menor, que atravessou o mês inteiro e ainda organiza as apostas e as conversas desta quinta-feira. US$ 82 mil.
Nessa faixa se cruzam dois grupos de compradores com quase nada em comum. O primeiro montou posições alavancadas depois de o bitcoin romper os US$ 82 mil em 21 de setembro, caminho que levou o preço até os US$ 87,4 mil.
O segundo entrou pela porta dos fundos negociados em bolsa e pagou, em média, US$ 81.722 por moeda, no cálculo do analista James Seyffart.
As duas turmas reagem de forma distinta quando o preço cede. A posição alavancada é fechada à força no instante em que toca o preço de liquidação, e o efeito surge na hora, na forma de uma venda. Quem comprou fundo não recebe chamada de margem. Reage devagar, comprando menos ou pedindo resgate, e o rastro disso só aparece no fluxo alguns dias depois.
A faixa com maior concentração de liquidações de posições compradas fica entre US$ 82,3 mil e US$ 82,7 mil, no mapa da CoinGlass. Uma queda de 3% a partir da cotação desta quinta atravessaria os dois níveis ao mesmo tempo.
A sequência de nove dias acabou
O que reacendeu a discussão foi o fluxo dos fundos. Depois de nove sessões seguidas de entradas, que somaram cerca de US$ 3,1 bilhões entre 17 e 29 de setembro, os fundos à vista dos Estados Unidos registraram US$ 148,7 milhões de saídas na quarta-feira, último dia do mês. A sequência terminou.
A Fidelity puxou os resgates, com US$ 125,6 milhões saindo do FBTC. A Bitwise devolveu US$ 13,6 milhões, e a BlackRock perdeu US$ 9,5 milhões no IBIT, encerrando uma sequência própria de nove dias e US$ 1,6 bilhão.
O trimestre, no entanto, fecha positivo para o setor. As entradas líquidas somaram US$ 6,34 bilhões entre julho e setembro, o melhor resultado do ano e uma virada em relação aos cerca de US$ 5 bilhões que saíram no segundo trimestre. Agosto respondeu por US$ 3,52 bilhões, julho por US$ 172 milhões e setembro por US$ 2,65 bilhões.
O saldo do ano também mudou de sinal. No fim de julho, os fundos acumulavam US$ 5 bilhões de saídas em 2026 e agora estão levemente positivos.
Esse retorno colocou os cotistas de volta no azul, e é por isso que US$ 82 mil passou a funcionar como apoio nas últimas semanas. Acima da linha do preço médio, o grupo inteiro está ganhando. Abaixo dela, volta a perder dinheiro, e a reação natural é comprar menos.
Nem todos leem a linha do mesmo jeito
A leitura mais difundida trata US$ 82 mil como o ponto de virada do trimestre. Existe uma segunda. Do lado de cima, perto de US$ 85,5 mil, está uma concentração grande de liquidações de quem apostou na queda.
O trimestre começou perto de US$ 58,5 mil, no menor nível em quase dois anos, e terminou o período à frente do ouro, do petróleo e das bolsas americanas.
O que travou a arrancada nos últimos dias foi o juro longo americano. O rendimento do papel de dez anos do Tesouro chegou a 5,29% em 30 de setembro, o maior nível desde 2007, no mês em que o Federal Reserve voltou a subir a taxa básica.
O movimento de resgate não ficou restrito ao bitcoin. Os fundos de ether perderam US$ 59,6 milhões na mesma quarta-feira, mas fecharam o trimestre com US$ 3,05 bilhões em entradas.
O recorde do bitcoin, de cerca de US$ 126 mil, foi registrado em 6 de outubro do ano passado. Nos fundos à vista, a captação do setor desde o início de 2024 passa de US$ 57 bilhões, e o total segue a cerca de US$ 5 bilhões do melhor patamar da série, medido em 10 de outubro de 2025.
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