Bitcoin

Curva de potência projeta US$ 1 milhão no bitcoin nesta década, e o método é o ponto em discussão

Matthew Mežinskis projeta US$ 1 milhão para o bitcoin até o fim da década. O pesquisador conhecido pelo estudo da curva de potência reforçou a afirmação nesta semana e deixou claro que o número não vem de leitura de gráfico nem de análise técnica, e sim de um ajuste feito sobre preço e tempo desde 2009.

O argumento central dele é que a curva do bitcoin não é uma reta que sobe para sempre. Traçada em escala logarítmica nos dois eixos, ela cresce menos que o dinheiro comum, que multiplica por juros compostos. A taxa de crescimento do bitcoin caiu de mais de 1.000% ao ano nos primeiros anos para cerca de 40% ao ano hoje, e segue caindo.

O bitcoin está cotado a US$ 84.776, com capitalização de mercado de US$ 1,70 trilhão e 32,8% abaixo da máxima de US$ 126.080. Na leitura mais recente, o preço equivale a cerca de 0,446 da linha da curva, o menor múltiplo já medido frente à regressão de longo prazo.

O que a curva diz hoje

Na leitura dele, a distância entre o preço e a linha central é normal dentro do próprio modelo. A curva não é um alvo, mas uma faixa de probabilidade. Os limites inferior e superior que delimitam essa faixa vêm se estreitando conforme o ativo amadurece, o que ele interpreta como menor volatilidade estrutural.

O teste que ele considera mais forte usa informação antiga. Uma regressão calculada apenas com dados até 2016, sem nenhum dado posterior, projeta um preço entre US$ 15 mil e US$ 17 mil do valor que o modelo entrega hoje. Segundo ele, nenhum outro modelo conhecido chega perto dessa consistência, e cita como contraexemplo o estoque para fluxo, que falhou no período.

A projeção de valor de mercado de US$ 1,1 milhão para 2033 aparece em conversa recente. Ela vem da mesma regressão, sem depender de fluxo externo nem de narrativa, e a conta por trás é direta. A cada 13% de avanço no tempo de vida da rede o preço dobra, o que entrega cerca de dez vezes a cada oito anos.

O que a academia mediu

Um trabalho publicado no arXiv em maio de 2026 testou a mesma curva com protocolo estatístico próprio e chegou a um resultado misto. Aplicado aos saldos de endereços e aos retornos diários, o modelo de lei de potência foi rejeitado, com distribuição lognormal preferida de forma decisiva. O expoente ajustado varia quase três vezes conforme o ponto de partida do tempo, o que fragiliza a leitura estrutural da curva.

O lado forte da tese está no mesmo trabalho. Comparando o bitcoin com oito séries de ativos e métricas na cadeia, ele é a única em que nenhuma curva de crescimento simples melhora o ajuste da lei de potência. Na avaliação com previsão rolante, a lei de potência fica à frente de todos os modelos básicos em janelas de 12 a 24 meses, justamente por não assumir formato específico de onda.

A curva descreve mal a distribuição de retornos e descreve bem a trajetória de longo prazo. Os autores resumem o resultado como estrutura fraca e previsão forte.

O embate com o dinheiro comum

O segundo eixo do trabalho de Mežinskis não é o preço. A curva do bitcoin cresce em forma de potência, com taxa que decresce, enquanto a dívida em dinheiro comum cresce de forma exponencial pela renda fixa. Quando as duas linhas se cruzarem, na década de 2030 ou 2040, o crescimento do bitcoin cai para a faixa de 10% a 20% ao ano, perto do custo de capital tradicional.

A base monetária global dá contexto a esse lado da curva. Ela saiu de mais de US$ 30 trilhões no pico da pandemia para cerca de US$ 26,2 trilhões no fim do primeiro trimestre de 2026, crescendo em ritmo historicamente lento desde 2008. O sistema financeiro americano tinha 20% da dívida federal em custódia do Federal Reserve no pico da pandemia e 11,38% em 30 de junho.

A proporção entre o volume anual do Fedwire e o volume registrado na cadeia do bitcoin caiu de 134 vezes em novembro de 2023 para cerca de 47,6 vezes. O preço permaneceu abaixo do pico de 2025 nos dois anos em que esse intervalo caiu para menos da metade.

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